Dia destes, madrugador inveterado, eis-me uma vez mais pisando a faixa de areia ciclicamente lambida pelas ondas, para elas hora avançando, hora delas fugindo para não molhar os sapatos, mas sempre obedecendo ao comando do meu olhar, obcecado na procura dos melhores pontos para a tomada de imagens com os sensores da minha câmera. Depois, desviei minha atenção do Sol Nascente e do surpreendente numero de surfistas já de molho àquela hora, para observar a Sul, a praia e calçadão começando a ser iluminados.
Uma figura solitária e irreal caminhava pela areia afastando-se de mim e de dois cães que pareciam extravasar felicidade enquanto brincavam na areia, com a areia. Acerquei-me dos cachorros, que pararam imediatamente suas brincadeiras e, amistosos, me observaram com grande curiosidade. Admirei os bichos, fotografei-os, invejei-os. Postei uma das fotos no Face Book com uma frase poética que me ocorreu e que a Maga – Magali Campelo Magalhães sugeriu converter em estrofe, que acabou seguida de sextilhas rimadas:
***
Quanto mais profundamente
olho nos seus olhos,
mais eu sinto que gostaria
de ser um cão brincando n’areia…
…libertando-me do bípede!
***
Assusto-me por um momento,
com tal força de pensamento
que m’impele a ser um cão
e correr solto e livre pelo areal,
célere feito e dito um animal,
do mais canino coração!
***
Mas, Oh! Crua realidade!
Acordo; E no que acordo, a verdade:
Não sou cachorro, não!
Continuo bípede, velho, vertical,
Continuo a julgar-me “racional”
achando-me superior ao cão…
…com um canino coração.


Meu caro amigo, que delícia de poema! E que sensibilidade! Neste poema/foto, carregado de emoção, sua alma poética abre-se à delicadeza e transborda. E eu me sinto tocada por essas reações tão bonitas. Obrigada por ter acatado minha sugestão. Um forte abraço
Obrigado, Maga! É muita honra ter sua visita nas minhas Mukandas!