Amanheci uma vez mais na Praia do Pecado, espectador embevecido do nascimento do Sol. Fotografei com o mesmo entusiasmo e admiração numa jamais repetida repetição, porque não existem dois nascer-do-Sol iguais, duas fotos iguais, dois estados de alma iguais. A Natura improvisa magistralmente a cada segundo por mim respirado, suas policromáticas e fortes pinceladas sobre o Pano de Cena do imenso palco do Espetáculo da Vida…
…Depois, arrasto-me de volta ao meu status de mortal subjugado às vontades de outros mortais subjugados, que o são a uma cadeia hierárquica subjugada ao lucro, ao lucro, pelo lucro que é conditio sine qua non. Sem lucro, sem atividade – sabemos. E sem atividade, reflito, eu representaria o nascer do Sol em gravura rupestre, não em fotografia. Não falta neste mundo quem deseje e mate pela volta às cavernas. Eu não me importaria, contanto que as cavernas tivessem geladeiras, fogões, camas, etc. e eu pudesse levar a minha câmera fotografica.
Afastado demais, tenho lido de menos e aparecido quase nada nas áreas onde a Arte e as Letrinhas convivem e podem ser encontradas. No período, além de enfadonhas leituras técnicas – enfadonhas mas necessárias, só consegui ler integralmente “Cadernos de Sizenando” de Adalberto De Queiroz, jornalista, cronista e poeta, meu amigo no Face Book. Não me atreveria a fazer uma resenha do livro, mas citarei, no âmbito dos meus textos, frases que gostei e anotei com muito agrado. Adalberto também me convidou a aderir a uma nova página de “Antologia da Poesia Falada”. Aderi mas (ainda) não participei. Preciso de mais tranquilidade para estudar a melhor maneira de o fazer, com trabalho meu que ainda terá de surgir especialmente para isso…

O espectador embevecido da praia do Pecado dá-me a honra de me embevecer com o comentário.
Sempre bem-vindo, Nelson, e na confraria da Poesia Falada aguardamos (dentro do seu timing)…
Abração,
Beto.
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Na praia do Pecado, Nelsinho lê os “Cadernos de Sizenando” e este autor sente-se no paraíso…