Os olhos que olho no espelho me parecem menos vivos que ontem. Enquanto esfrego a pele de forma frenética e auto flagelante com a máquina de barbear na tentativa de bem escanhoar os espetos brancos, analiso os pormenores daquele rosto refletido no espelho cruel. Cruel e deslavado mentiroso. Dele eu demando o meu legítimo direito de recusar ser retratado de forma menos respeitosa e passei a exigir correção na exposição da minha cara que me é tão cara e me acompanha desde que nasci. Puz-me a fazer caretas pro miserável até cair na risada. ”É então assim, que se chega a doido!”, concluí desgostoso, raspando os pêlos em torno das orelhas. Faço isso vezes sem conta, porque vivo apavorado de, ao deixar crescer a pelagem, amanhecer na pele de um qualquer animal felpudo. Termino o ritual com alguns borrifos de Polo – minha colonia preferida cujo cheiro há muito não experimento por me encontrar completamente anósmico. É assim…Todos os males chegam com a idade. Botei a língua pro espelho antes de sair e arrependi-me. Achei-a muito branca! Será que tenho alguma doença de vaca?!
Espelho, espelho meu…
06/06/2013 por Nelsinho
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bem humorado, Luis! gostei.
Cissa
Sou (ou estou?) um desleixado, Cissa, até com as pessoas que tanto admiro.
Bem haja por vir e ler
Beijo
Nelsinho, encontrei-o no Face pelas mãos da Rose, trazendo seu texto Espelho, espelho meu. Imediatamente pensei em procurar seu Mukandas que tenho a satisfação de percorrer agora. Seu espelho está sedutor como texto bem lançado, de humor realístico, refletindo as injunções a que o tempo nos submete e o jeito positivo de lidar com essas mazelas. Tem muita classe o seu Mukandas. Meg sempre acertou, em suas escolhas.
Pode ficar certo, Nelsinho, que agora descobri o ‘caminho das pedras’.
Um forte abraço
Magaly
Oh Maga! Quanta honra e como fiquei feliz…Nunca mais telefonei à Meg, porque me acho uma má influência para seus males. Mas ela está sempre na minha lembrança. Um dia destes vou desatar o nó e atrever-me a ligar-lhe.
Espero que você esteja bem dos seus olhos.
Beijão
Gostei muito!
Oi Moniquinha!
Obrigado por ler as besteiras do pai
Beijo