Anoiteci minha sexta caminhando com a Mônica Salmaso no meu ouvido ao longo do calçadão da Praia de todos os Cavaleiros, os de triste figura incluidos…
“…Eis o malandro na praça outra vez caminhando na ponta dos pés como quem pisa nos corações…
amou daquela vez como se fosse a última e beijou sua mulher como se fosse a única mas morreu na contra-mão feito um pacote bêbado…
Já gozei de boa vida tinha’té meu bangalô, cobertor, comida, roupa lavada…vida veio e me levou
Pensando bem, todo o mundo tem pentelho…só a bailarina que não tem!
Que roupa você veste
que anéis, por quem você se troca
que bicho feroz são seus cabelos…
Essa morena quer me transtornar
chegando em casa me condena, me faz cena até cansar!
Olha Maria…
eu bem te queria
fazer uma presa da minha poesia…
…e você era favorita onde eu era mestre-sala
Basta um dia, não mais que um dia…
me dá só um dia…
Olha…será que ela moça
será que ela é triste…
será que ela dança no sétimo céu
Ah! Se eu pudesse entrar na sua vida…”
Ofeguei o calçadão,
drenei a água do meu corpo,
tropecei no fôlego
e caí no meio fio feito um pacote flácido…

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