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Archive for Fevereiro, 2013

Recordare

sunrise singa-1

O ato de reorganizar ou pelo menos tentar reorganizar arquivos de textos e fotos em um computador pessoal,  pode ser um exercício pleno de emoções conflitantes. Ao mergulhar no período vivido em Singapura e adjacências, senti inicialmente uma enorme vontade de voltar a respirar o permanente frenezi  de uma extraordinária e admirável terra de superlativos tão do meu agrado e gosto.  Pena é logo em seguida  ser atropelado pelas recordações de exasperantes maus bocados sofridos no decorrer do projeto. Eis dois momentos pouco felizes:

 

… e sobre esta água asiática
numa loucura escaganifobética,
cansativa e porraloucática,
desgasto-me de forma asnática
achando que ajo com ética!…
“Cretino fundamental”: Eu sou um!…
****

Belo é o Sol das minhas madrugadas!
Porém, são sofridas estas madrugadas
cansadas, quentes, equatoriais…
Já fatigado, acordei e me levantei
do breve sono que dormitei,
despertado pelos próprios ais.

Meus olhos tristemente se alegram
com as belezas que enxergam
aqui no ao redor da Marina,
que em sua exuberância encantada
surge rubra, pelo Sol pincelada
por entre a tênue neblina…

Hora de embarcar e estas águas cruzar
em direção ao trabalho que me espera.
Muitas horas eu irei enfrentar
até que, noite adentro, possa voltar
a sulcar as ondas de regresso a terra…

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Mukanda

Meditation Spot

É fato que quando estás comigo ou a duas horas de mim, eu mergulho de igual forma na minha solidão, porque é em seus meandros que costumo encontrar aquele “Eu” de quem tanto falo até demais. Solidão, no meu intimista filosófico entender, tem muito pouco a ver com “estar sozinho”. Sintomaticamente, é precisamente quando estás fora do meu alcance que o alcance ao âmago da minha solidão se apresenta mais problemático! Eu preciso de flutuar nesse escondido e estranho mundo do meu mundo interior, para me encontrar na minha total plenitude, tentar escrever coisas de amor, ou de azedume, ou besteiras sem nexo, ou de alegria, nunca de desamor. Paradoxalmente, a tua companhia é minha aliada, mesmo nos momentos de isolamento dentro do meu casulo. Porque tão bem conheces os acessos ao meu casulo, sei-me seguro que nele entrarás em meu socorro sem que eu precise gritar.

Entristeço, quando não estás. Pelo dito acima e, bem entendido, por tudo o resto que tomaria várias páginas para ser descrito! Declaro, pois, por meio desta mukanda, a minha completa dependência de ti!

***

Os dias vão se escoando, o meu peito palpitante…

É uma sombra do que era, este meu velho coração!

Ele bate tão fraquinho e arritmado se estás distante…

foram-se os tempos de bater altivo e arrogante;

Que coração dependente é este meu velho coração!

 

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Rôgo

Tateio-me na solidão, mas não logro encontrar-me!

Perdi-me de mim, talvez… Ah! E como a solidão é escura!…

Ter-me-ei  escondido de propósito? Mas…com que propósito?!

Terei eu sido ríspido, grosseiro, vulgar e por isso me afastei?

Nesse caso, eu penso que devo rogar-me desculpas…

e  devo, com sinceridade, aceitá-las…

 

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Cult

Durante algum tempo, perguntava-me o que poderia ser chamado de “Cult” nas artes do cinematógrafo, sem que todavia me decidisse  a procurar uma explicação. Penso que eu queria mesmo era descobrir por mim próprio e o fiz comprando três títulos que achei na estante “Cult films” na falecida “Borders” da “Galleria” de Houston. “Pronto: Cult movie é um filme pornográfico metido a besta!”, sentenciei. Como sou pouco dado a julgar temerariamente, procurei ilustrar-me o mais que pude sobre esse tema mas as explanações wikipédicas são “cult” e me confundem…deixa pra lá – afinal, tenho o desconto devido a quem está prestes a dobrar o portal dos setenta.

Solitário, sentindo a falta da minha mais-que-tudo, perambulava eu pelas Americanas de olhar perdido nos milhares de títulos em saldo, quando me deparei com “O último tango em Paris” por 9 míseras pratas! Em alguns minutos, passaram-me pela mente trinta e nove curtos anos de tumultuadas recordações. Senti aquela mesma sensação de desconforto experimentado ao lado da minha então jovem companheirinha enquanto o personagem manteigava a bundinha da atriz! Recordei-me observando, à saída do cinema, a mediocridade sorridente em torno de mim, o semblante de todos aqueles ridículos papalvos acreditando que haviam acabado de ser “revolucionários” porque  foram espectadores de um filme  “ousado”, podado pelos censores da destronada Ordem…

Acordei do meu estupor, fui ao caixa e paguei as nove estalecas. Em casa, o moderníssimo aparelho não quis saber de ler aquela bolacha jurássica e acabei rodando o filme aqui em Macaé no meu DVD player do século passado. Confirmando tudo que tinha gravado na memória, elevo, pesaroso, um pensamento à pobre Maria Schneider que, escorraçada e apedrejada pelo populacho e completamente marginalizada como atriz, viveu ainda o suficiente para ver mulheres como Chloe Sevigny em demorada cena ultra explícita de sexo oral em  “Brown Bunny” (um dos tais Cult que comprei em Houston) e sobreviver incólume e vitoriosa até hoje, em sua carreira de atriz de cinema e televisão. “O Ultimo Tango” é hoje um filme para meninos de coro.

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Credos

Oração

Creio com sinceridade que o respeito aos direitos dos que não crêem só será possivel se estes forem capazes de atitude respeitosa  diante dos direitos dos que crêem, e vice versa…

Creio que o desrespeito aberto e de escárnio aos símbolos, vivos ou não, ligados a qualquer das religiões ou filosofias professadas por muitos ou poucos, em absolutamente nada ajuda para uma harmônica e pacífica convivência entre nós, seres biológicos ditos “racionais” de efêmero ciclo de vida.

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post-1

A pessoa retratada na foto acima, é a minha mãe. É uma foto típica dos anos 40 ou inicio dos 50 e terá servido como prova básica para uma daquelas artísticas ampliações coloridas à mão em que o meu pai era mestre. Reparem que não existem no rosto sombras ou imperfeições resultantes de eventuais defeitos de iluminação. Tudo era paciente e metodicamente retocado no negativo ao longo de horas de trabalho. Isso era Foto Shop! Quem são os melhores artistas de Foto Shop: O meu pai e seus contemporâneos exímios no manejo dos finíssimos “crayons” e do exercício da paciência, ou os atuais não menos exímios na pilotagem dos recursos sem fim do Foto Shop eletrônico? Bom…eu diria que depende totalmente da real qualidade do artista, desta ou daquela época.

Assitindo o RJ TV da Globo agora há pouco, falando sobre os desfiles, segui com interesse as considerações de um expert na matéria – um senhor cujo nome não fixei mas que é, ou pelo menos assim o entendi, diretor da Liga das Escolas de Samba. O tal senhor falava com grande eloquência e conhecimento, sobre virtudes e mazelas que na sua análise rolaram durante a performance das escolas que desfilaram a noite passada. Sobre a Portela, que defendeu o enredo “Fama”, em que as câmeras fotográficas e cinematográficas eram destaque, torceu surpreendentemente o nariz ao carro tema “Foto Shop”, afirmando claramente que “uma escola com 60 anos de tradição não precisava disso”! Não entendi e não quero entender.

A afirmação mais importante é minha e óbvia: A minha mãe era uma mulher muito bonita!

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Carnaval

post-1

Não sei quantas vezes já terei repetido que eu só entraria no sambódromo se alguém me ofertasse um crachá, que me permitisse andar livremente entre as alas e fotografar até dizer “basta!”. Admiro o gigantismo de produção, a extraordinária paixão e a força da poesia em movimento mas, paradoxalmente, na medida em que vão passando as escolas, acabo enfastiado por toda aquela “dinâmica monotonia”.

“Home alone”, decidi ir ao Plaza no fim da tarde de sábado com a ideia fixa de assistir “Les Miserables”. Encontrei tudo em obras, só com parte das salas funcionando de forma precária e, de miserável, portanto, só o cinema. Sim, eu sei que deveria ter entrado na net e visto, et cetera et al, mas eu precisava de soltar um pouco o meu prisioneiro espírito. Voltei a tempo de pegar a câmera, subir ao museu e tentar algumas fotos, mas os resultados foram abaixo da critica – um sábado a esquecer.

Como sou de ideias fixas, gastei o domingo de carnaval trancado, com ar condicionado ligado, revendo musicais: Revi “Les Miserables” (em VHS) , depois “West Side Story” (em Blue Ray) e, para completar, mais West Side Story em VHS, com a gravação da gravação para a Deutsche Grammophon conduzida pelo próprio Leonard Bernestein. Tentei ver no “E” o show do Grammy, mas eu confesso não conseguir deglutir a tradução simultânea.

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Praia

Porque será que a figura e voz de Heather Headley tanto me emocionam?! Enquanto me arrisco mais uma vez na cozinha, fico de olho e ouvido no concerto de Bocelli gravado ao vivo em 2007 na Toscana e que coloquei a rodar pela milésima vez. Os momentos emocionalmente mais esperados, são os duetos com Heather Headley e com Laura Pausini!

Na contramão dos meus hábitos acordei e levantei tarde, por certo em razão do excesso de barulho dos meus vizinhos que, pelo ouvido, estenderam a reunião até bem tarde,  sem se preocuparem em baixar o volume da conversa e gargalhadas. As paredes são escandalosamente finas e eu sempre acabo por me sentir como que um hóspede deles, habitando um quarto ao lado. O cansaço me venceu e por isso, pelo menos desta vez, não escutei os gemidos e sussurros de mais uma performance sexual do casal, se é que rolou…

Com dia ensolarado e prometendo temperatura elevada, saí para  mais uma caminhada pela praia dos Cavaleiros, sem esquecer a mochila com a câmera e tomando o cuidado de não repetir o tropeço e queda de sexta. A praia estava luminosa e linda, o mar tranquilo e azul. Nesse quesito, não há o que reclamar desta terra!

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A Caminhada

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Anoiteci minha sexta caminhando com a Mônica Salmaso no meu ouvido ao longo do calçadão da Praia de todos os Cavaleiros, os de triste figura incluidos…

 

“…Eis o malandro na praça outra vez caminhando na ponta dos pés como quem pisa nos corações…

amou daquela vez como se fosse a última e beijou sua mulher como se fosse a única mas morreu na contra-mão feito um pacote bêbado…

Já gozei de boa vida tinha’té meu bangalô, cobertor, comida, roupa lavada…vida veio e me levou

Pensando bem, todo o mundo tem pentelho…só a bailarina que não tem!

Que roupa você veste

que anéis, por quem você se troca

que bicho feroz são seus cabelos…

Essa morena quer me transtornar

chegando em casa me condena, me faz cena até cansar!

Olha Maria…

eu bem te queria

fazer uma presa da minha poesia…

…e você era favorita onde eu era mestre-sala

Basta um dia, não mais que um dia…

me dá só um dia…

Olha…será que ela moça

será que ela é triste…

será que ela dança no sétimo céu

Ah! Se eu pudesse entrar na sua vida…”

 

Ofeguei o calçadão,

drenei a água do meu corpo,

tropecei no fôlego

e caí no meio fio feito um pacote flácido…

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