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Evasão

Essa tempestade chamada de Kristin fez realmente uma lenha desgramada no meu pequenino país. Mas, preservo na memória alguns temporais violentos e cheias catastróficas no meu rio Douro. Se batizaram o mau tempo nesse tempo, eu não lembro. Mas recordo acompanhar o meu pai a “ver o mar bravo”, que incluía navios jogados nos escolhos, quebrados em pedacinhos.

Evadindo-me das más notícias, sintonizei-me na Gulbenkian para, comodamente, assistir ao vivo e com todas as cores e sons, a mais um belíssimo concerto a partir do grande auditório em Lisboa, com a orquestra completa dirigida por Lorenzo Viotti. Penderecky deixou-me literalmente em pandarecos com seu concerto para violino nº 2; a solista era a virtuose ucraniana Diana Tischenko, cuja performance divinal incluía mudanças drásticas de rosto e mise-en-scène, hora dramática, hora poética, hora de incrível agressividade, como se ela estivesse a ler para nós uma intrincada novela musical, que de fato era! Suas vestes vermelho-vivo dramatizavam ainda mais sua atuação. Os muitos diálogos dela com solistas da orquestra são mais que admiráveis, intrincados, tecnicamente extraordinários! A certo ponto, ela levou a frase e entregou-a a uma fagotista que a concluiu de um só fôlego até à quase exaustão, a julgar pelo seu rosto tingido de vermelho! A peça terminou com Diana sola, num loooongo sustain de uma só nota, seguindo-se igual tempo de silêncio absoluto até que relaxou para o grande, interminável aplauso. Teve “ancore”, mas, sinceramente, são consegui identificar a peça. A mulher precisava mesmo era descansar, porque deve ter perdido uns 2 quilos. Na segunda parte, fomos brindados com a Sinfonieta em Si maior de Erich Korngold. Como não conhecia, achei que, por ser “Sinfonieta”, tratava-se de uma curta peça; ledo engano, porque é uma sinfonia longa, ou pelo menos, longa para o que eu esperava. De qualquer forma, é obra admirável de um compositor, que se mudou para os Estados Unidos, onde se dedicou a musicar filmes, com “scores” inesquecíveis e que influenciaram o estilo de compositores como John Williams (e.g. Star Wars, Harry Potter). Williams até hoje fala de Korngold como uma referência…

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