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Chove…

Chove a bom chover!

Chuva gostosa de ver,

assim, através da vidraça.

Confortável e aquecido,

fico um tempão esquecido,

olhando o trânsito que passa…

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Quando canso do meu observatório, volto a garimpar no youtube divertidas comédias, que podem incluir ver vídeos dos belíssimos cavalos da guarda de SM o Rei da Inglaterra morderem turistas estúpidos. Não menos divertidas são as fofocas da família da mesma majestade real e seus intestinos desentendimentos e traições. Por outro lado, na mesma ou em outras fontes, acho muitíssimo menos divertidas, as traições repugnantes que, desde a fatídica abrilada comunista de há meio século atrás, não param de crescer, me surpreender e revoltar meu sangue lusitano…

QI

É vero que me perdi sem grande esperança de encontrar-me de novo. Imputo às maldições políticas tão por mim odiadas, que me deixam sem condições de reencontrar-me em alguma esquina latente de vida. Mas enfim, vou aproveitar e falar de algo interessante que escutei da boca de uma mulher: “Todo o idiota que extrai os miolos do sistema de descarga de gases do motor de explosão do seu automóvel, ou ainda pior – do seu motociclo, passando as madrugadas a infernizar o sagrado descanso dos demais cidadãos, demonstra vingar-se da realidade de ter nascido com um píu-píu ridiculamente pequeno! Não perdoa que a natura lhe haja sido tão madrasta e repassa isso em altos berros…”

Eu só posso concordar, porque não é justo eu ser acordado por esses desajustados cretinos com QI do mesmo tamanho que o seu mísero pilau…

Não adianta: 51 anos decorridos, não há a menor hipótese de eu esquecer e muito menos perdoar…

Maestria

Terceiro andamento de Mahler 4, com a LSO surgindo do meu distraído pesquisar no Youtube, na soberba tela “OLED” de 55” que há alguns dias instalei no centro do home theater. Ela, Barbara Hanningen, dirigia e eu fiquei imediatamente preso ao fascínio irresistível e mágico do bailado digital de suas mãos longas e brancas, dir-se-ia que aladas, em movimentos precisos de maestria impregnada de poesia, ainda que plenas de autoridade! Dispensa, como é seu hábito, o uso da tradicional batuta, porque sabe que seu reger, diferente e admirável, se perderia em parte se o fizesse. A obra parece agigantar-se, os músicos excedem-se em seu todo, enquanto eu me rendo ao brilho particular daquelas mãos e de uma oboísta virtuosa que me emocionou…

Papam

Saí nesta segunda, dia 21 de abril, em mais uma caminhada por pura necessidade de exercício, mais ou menos em conformidade com as recomendações médicas. Enquanto o fazia, aconteceu escutar outro caminhante em conversa telefônica, dizer que o Papa teria abotoado a batina. Não sendo o finado personalidade da minha admiração, fiquei conjeturando se, na próxima eleição, o brado de “habemus papam” revelará à Cristandade um Sumo Pontífice mais católico…   

Promessa

O domingo está de um cinza triste, com a mesma cara da cara com que eu me deparei no espelho agora há pouco, após haver despertado da mal dormitada sesta. Rosto rispidamente esculpido pelo tempo, porque o tempo não perdoa. Rosto que achei estranho e árido como um deserto, deserto e sem expressão, por assim dizer! Ai de mim, como envelheci! Cada traço da minha fronte, reflete um traço impresso pela idade. Para consolar-me, ou assim tentar, repito-me que sortudo eu sou, porque vivi o suficiente para viver a velhice patenteada pela crueza do espelho que me reflete a realidade. O domingo, mesmo cinza e aparentemente mal-humorado, poderia me encontrar melhor, se no dia de ontem eu não tivesse recusado o convite para assistir a mais um ensaio do coral e em seguida, estar presente no show de rock n´roll. “Não estou disposto”, eu disse; “está fria a noite e o vento está um açoite”; “fica para a próxima” – promessa de louco…

Chegou…

…o primeiro de abril, e amanheci recordando as brincadeiras que na infância e adolescência cometíamos no “dia das mentiras”, mas, de imediato, lembramos a abrilada, que não foi fake, foi, sim uma maldição irreparável, imperdoável, para sempre negativamente presente nas nossas vidas, sem falar das que foram perdidas em quantidades impensáveis, na insana guerra que se seguiu na pátria angolana. É o abril, o tal das mágoas mil, que é chegado, de novo, como acontece todos os anos enquanto as memórias se não apagam…

Um Lustro

Neste dia há cinco anos, vivíamos as incertezas de um andaço chinês evoluindo para epidemia com muitos óbitos e apavorante histeria. Muito aprenderíamos sobre novas formas de dominação do homem pelo homem. Quero dizer: Pelo político, especificamente, porque político só é homem e gente, quando está fechado na privada, alguém bate à porta e ele responde: “tem gente!”. Nesse dia 12 de Março, eu escrevia:

“Histeria Pandêmica…

…ou Pandemia Histérica. A História conta-nos muito sobre a letalidade da histeria, que pouco fica a dever à mortalidade pandêmica. Parar o Planeta resolve o surto? O que sabemos é que o surto será contido a seu tempo pelos magos da bioquímica. Mas o caos econômico e social, o desemprego e a FOME por resultado da histeria, levarão tempo para ser revertidos. O pior é que, para essa reversão, os sobreviventes não contarão com brilhantes magos da ciência e sim com os mesmos que semearam a histeria: Os políticos.”

Veneno

O primeiro nascer do Sol de Março eu não vi, porque acordei às 07:30 e estava meio nublado. Nina disse que acordou com “uma tortura” de corpo sobre a cama e por isso, sente uma dor na coluna. A tortura dela foi devida à torta posição assumida enquanto dormia. Mas, eu acho que não é só por isso: Ela dedica algum do seu tempo, seguindo e sofrendo, na TV e na internet, as patifarias dos malditos políticos de todas as cores e nacionalidades. E aos patifes políticos, ela adiciona enorme atenção em pormenor, aos patifes torturadores-assaltantes que, protegidos pelas leis promulgadas pelos patifes-torturadores-políticos, fazem gato-sapato do cidadão. Ela diz que é preciso dar atenção ao modus operandi da cruel bandidagem, no sentido de erguer algumas defesas. No entanto, eu fico temeroso que isso possa até envenenar seu sangue…

Cardio

Temas que temos e não queremos, superam sempre em muito, o que desejaríamos de bom, de forma a, de quando em quando, dar vida a algum texto que nos agrade. O panorama de conflagração mundial domina e domina-nos, mesmo que tentemos recusar nossa atenção e virar as costas. Então, hoje eu fui ao médico. Cardiologista, porque essa cousa de cardiopatia permanece nas minhas cantadas arritmias de longa data. Sem falar em Fibrilação atrial, pressão alta e outras maleitas. O profissional agradou-me! É muito jovem, nota-se-lhe leve ascendência oriental. Convenceu-me que o mal é benigno, desde que se lhe não provoque a malignidade. Devo, pois, ser bem-comportado, fazer muito exercício, seguir as prescrições, apresentar-lhe holters e quejandos… Na verdade, não terei sido tão malcomportado, porque já há alguns anos de diagnóstico e nenhuma drástica e feia ocorrência tal como AVC – que o diabo seja surdo e mudo…