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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Décadas…

As viroses vão-se distanciando, malgrado alguns resquícios ainda perdurarem. O nosso sábado amanheceu com chuvica e convidando a em casa permanecer, pelo que, recatados no nosso espacinho, juntos relembramos que mais um ano se passou desde que unimos os nossos destinos. A caminho das 6 décadas, impossível deixar de trazer de volta à memória os tantos momentos de ouro que juntos vivemos, em contraste com os períodos de agonia, mudanças drásticas, diáspora forçada, dentre outras peripécias igualmente nada gratas, que tentamos ao longo do tempo dissipar nas brumas. Como todos os velhos casais, temos “as nossas coisas” de quando em vez, mas “sin perder la ternura jamais”! Os vários tropeços de saúde pelos quais, em razão da idade, temos enfrentado, e aqui abro um parêntesis para afirmar que mais pela minha parte, que sou mais velho, vem demonstrando como esse carinho, nas vicissitudes permanece inalterado. Fora dos reveses, o carinho também resiste incólume ao tempo e às eventuais e raríssimas intempéries, sabidamente comuns em um longo relacionamento feito o nosso…

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Virose

Virose gastrointestinal, ou andaço parecido, bateu à nossa porta atacando a Nina. Confiro que são 03:30 da madruga, desde a meia-noite que estou acordado e ela levanta e corre para o banheiro vezes seguidas para vomitar o que não tem no estômago. Não sei o que fazer e decidi abandonar a minha caminha e sentar na frente do computador, primeiro para tentar aprender como lidar com essa situação e depois para gastar o tempo de insônia induzida até amanhecer e procurar ajuda, se tal for necessário no nosso caso. Recorro à net, mas, conquanto fonte inesgotável, ela é nada tranquilizante e, das desgraças que me atrevo a ler, penso não exagerar, concluo que o momento mundial é tão ou mais inseguro e perigoso, quanto o dos tempos que acabaram desaguando na segunda guerra mundial. A insanidade, a desordem, a demagogia, a estupidez, a estupidez! Bom resultado não trará, decerto…

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Sacanagem!

Eis que retorno à sebenta, como era chamado no meu tempo o caderno de rascunhos e exercícios e surpreendo-me uma vez mais nele rabiscando obviedades do tipo 1+2=3! Seguem-se outras afirmações aritméticas do mesmo tipo, sem ter em mente onde raio eu pretendo chegar, e por tal eu acabo desistindo. Desisto das afirmações aritméticas, mas engajo-me em considerações outras: Se nasci com penduricalhos no meio das pernas, sei que sou menino; mesmo que o acaso de um lapso de fabrico me houvesse ter sido feito um homo, eu continuaria a ser menino, não só pela existência desses ditos apêndices genitais, mas porque também internamente não fui dotado da necessária predisposição fisiológica feminina. Afirmações do tipo “Eu sou homem, mas me sinto mulher, trajo como uma e exijo usar os sanitários das menininhas”, é uma tremenda sacanagem, que eu, definitivamente repudio…

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Pandemônio

Decorre o mês de outubro, quando deverei, ou não, renovar com a WordPress para mais um ou dois anos de plataforma para as minhas “Mukandas”. Acontece que estou na dúvida e a razão não é o custo da assinatura. O mundo transformou-se num grande pandemônio de estranhíssimos e estúpidos seres, gladiando-se por via das dúvidas que têm da sua própria condição de animais biológicos aparentemente dotados de raciocínio. De repente, a população engaja-se em frenética guerra de raças, credos e filosofias idiotas em espetacular retorno a tenebrosos tempos que, julgávamos, estariam sepultados nos livros de história. Escrever sobre qualquer assunto, pode muito bem conduzir o autor a sérios dissabores, já que a censura deixou de ser aquela censura que conhecíamos, para atingir abrangências nunca imaginadas…

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Carrilhão

A grandiosidade do Convento de Mafra, concedo, não mais só por si me arrasta a repetir-me em visitas. Mas lá voltei para, finalmente, escutar ao vivo e de pertinho seu carrilhão de dezenas de sinos em mais um concerto de domingo. Claro que gostei muito, mas não muitíssimo, na medida em que, aparentemente, minha audição está em franca queda, a julgar pelo meu julgar o som dos enormes sinos meio abafadinhos! Achei-me, pela primeira vez, convencido que, a contragosto e caso continue, como desejo, entre os vivos, precisarei de um desses amplificadores de ouvido…

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En Garde!

Em tempos de tanto ódio destilado nas redes antissociais, ficar na defensiva é preciso, porque de repente, não mais que de repente, as coisas poderão azedar por simples opinião pessoal sobre qualquer assunto, mesmo que aparentemente ausente de polemicas discussões…

Perguntaram noutro dia

Se eu sabia perdoar,

Eu disse que dependia;

que resposta poderia eu dar?…

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Fogo!

O Rei Sol nasceu filtrado em frente à minha janela. Parece fogo, o efeito do contraluz, mas não é. Não aqui, em frente à minha janela de sortudo que não está entre as vítimas  da criminosa incineração da Terra Portuguesa! Terra, animais, vegetação – malditos sejam eles, quem quer que sejam! Lembro da minha infância em terras nortenhas; verão intensíssimo, calor insuportável, tudo pavorosamente seco. Eis que tanto calor desanda em temporal elétrico medonho – populacho de joelhos pedindo perdão pelos seus pecados, voltados para o monte da Santa Bárbara bendita, a quem pedem proteção! Quem sabe foi ela que não deixou os raios e coriscos aos milhares incendiar toda aquela terrível secura? Testemunhado por mim, escriba destas linhas, que tal vivenciei há cerca de oito décadas, quando ainda não havia sido inventada a teoria da mudança climática…

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Du Bocage

S´tava bonita a festa, pá! Enfeitaram-te com lindas flores, vozes assim assim declamaram alguns dos teus versos dos quais destaco aquele que dedicaste a Camões, que assim termina: “…Se te imito nos transes da ventura/não te imito nos dons da Natureza”! Depois, o melhor da sociedade da tua cidade, retirou-se da praça pública e se reuniu no teatro, onde foram continuadas as homenagens a que fazes juz…

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Não há nada como enfrentar a realidade: E ela, a minha realidade, comprovou na prova física da semana passada, o que não mais posso negar: Quatro dias de vindimas, deixaram-me indescritivelmente prejudicado! Minha velha carcaça grita em prantos, juntas rangendo, coluna arqueada e dolorida. A verdade é que me sinto completamente incapaz de prosseguir! O pior é que a felicidade de razoável colheita, levará meus alquebrados membros a mais do mesmo na nova semana que se inicia…

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Bossa-Jazz

Sergio Mendes foi e deixou um “até mais tarde”, lembrando que a ele nos juntaremos, mais cedo ou mais tarde. No que me concerne, preferivelmente muito mais tarde. O passamento de tantos músicos admiráveis cujo trabalho nos conquistou em muitos e inesquecíveis momentos da nossa vida, alerta-nos para o Outono da existência  de quem, como ele, virou mais de oito décadas…

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Porque será que tanto mexe comigo Florbela Espanca? Aliás, Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, assim batizada em 1894, Vila Viçosa. E lá, na sua terra natal eu a encontrei hoje, no seu mausoléu de branco mármore. Emocionei-me como se viva ela estivesse ali, falando comigo! Eu queria contar-lhe a piada do comerciante de Évora, mas não tive oportunidade. Preferi deixá-la carregar-me nos seus rubros versos…

Das noites de volúpia, noites quentes

Onde há risos de virgens desmaiadas

Ouço as olaias rindo desgrenhadas…

Tombam astros em fogo, astros dementes,

E do luar os beijos languescentes

São pedaços de prata pelas estradas…

Os meus lábios são brancos como lagos

Os meus braços são leves como afagos,

Vestiu-os o luar de sedas puras…

Sou chama e neve branca e misteriosa

E sou, talvez, na noite voluptuosa,

Ó meu poeta, o beijo que procuras!

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