Aqui em Houston, Texas, acordo para mais um dia de trabalho que espero seja o ultimo desta missão. Não ligo a TV, para evitar escutar baboseira que tanto me incomoda. O “Homem” ganhou mesmo sendo uma completa nulidade política, ou exatamente por sê-lo? O fato de ser eu um desafeto de todos os políticos tradicionais, carreiristas de qualquer tendência, deveria até levar a regozijar-me com o resultado. Até agora, porém, na minha personalíssima análise, só posso prever um processo de impeachment antes da metade do mandato, previsão essa que eu faria de igual forma caso a dona Clinton houvesse obtido a vitória. Os dois candidatos eram completamente inadequados.
Agora enfrento ansioso o meu dia, incluindo nele as preparações para deixar o hotel amanhã cedinho e rodar os 380kms que me separam da alegria de rever meus netinhos americanos nas cercanias de Dallas…
Archive for the ‘Uncategorized’ Category
De Houston
Posted in Uncategorized on 17/11/2016| Leave a Comment »
Fado-Canção
Posted in Uncategorized on 05/11/2016| 2 Comments »
Meus versos em tom menor
expressam muito melhor
da minha alma os momentos
Em acordes dissonantes,
melódicos, dilacerantes,
eu disseco meus tormentos.
Meus versos incompreendidos
tão ocultos, tão sofridos,
que oprimem o meu coração
Em tom menor os componho
Em tom menor os tristonho
nesta singela canção…
…E agora em tom maior
eu te digo que te adoro!
Mesmo temendo o pior,
Espero pelo melhor,
no teu coração eu me ancoro…
…E se teu coração é meu porto
aberto pra me abrigar…
Exultante nele aporto,
em busca do teu conforto,
até a tempestade amainar.
…E em tom maior continuo
meus versos então concluo
desta singela canção…
E adormeço de mansinho,
instalado bem num cantinho,
no fundo do teu coração.
Silêncio
Posted in Uncategorized on 03/11/2016| Leave a Comment »
Devo reconhecer-me silencioso demais, introvertido demais, mesmo que em alguns curtos momentos possam tomar-me por extrovertido e falador, especialmente após degustar algumas taças de um bom vinho. Avassaladora é, todavia, a sensação de impotência e completa inutilidade pessoal que se alastra e se espraia sobre mim. Todas as burradas e péssimas decisões cometidas ao longo da minha vida emergem agora, avançam e me sufocam num tsunami de merda com força descomunal. Poderá ser que toda esta autoimolação e frequência de uma espécie de ato de contrição, estejam a aflorar por resultado do recente passamento de pessoas queridas da família e de algumas proeminentes personalidades de idades tão próximas à minha própria idade, que acabo dando por mim “numa linha de frente” para abotoar o paletó.
Aniversário
Posted in Uncategorized on 26/10/2016| Leave a Comment »

Oito horas da noite na Plaza Mayor de Salamanca, a temperatura está em agradáveis 16C, sem vento, sem chuva. Uma pequena multidão converge para a Plaza e arredores. As pessoas circulam, conversam, ocupam restaurantes, esplanadas, tavernas, cafeterias. Parecem felizes e despreocupadas e nós, igualmente felizes e despreocupados pelo menos no momento, a eles nos juntamos nessa congregação de felicidade e despreocupação, mesmo que aparente, mesmo que momentânea. Mas Salamanca é mesmo um lugar prodigioso. Um concentrado histórico transbordando cultura em torrentes ao longo das estreitas ruas que calcorreamos à sombra de graníticas construções contendo universidades, bibliotecas, centros de estudos. Inspiramos, deleitados, toda essa atmosfera de aparente excelência, enquanto fazemos jus à excelência comprovada das patas negras, das tapas, da cozinha mediterrânica. E do vinho, senhores, o bom vinho ibérico.
Neste ambiente, recuamos quarenta e oito anos nas nossas linhas de vida e demos as mãos, com os dedos bem entrelaçados, como se para confirmar que aqui continuamos. Vivos e unidos. Vivos, unidos, sobreviventes de tenebrosos acontecimentos nas ultimas décadas do século XX, adaptados às profundas mudanças operadas neste ainda mais tenebroso início de milênio.
Na terrinha – O Voo
Posted in Uncategorized on 13/10/2016| Leave a Comment »
“Carne ou frango”? A pergunta, feita pelo aerogajo para inicio de um jantar servido às 01:00 da madruga, soou-me como se estivesse dentro de um avião de uma das companhias americanas e não na “minha” TAP, que até um ano antes eu defendia como uma das poucas que mantinham, na classe econômica, algum resquício do tratamento de outrora. Optamos pelo frango que, frangamente, estava ruim pra caramba. O arroz estava comestível, contudo, e havia um pãozinho – um pãozinho apenas isolado no meio da pequena bandeja! Alguém lembra dos tempos em que passava o cestinho várias vezes oferecendo mais pão? Comi o pudim para adocicar a minha madrugada. Na volta, embarcaremos com sanduíches, etecetera et al.
Sofro atrozmente nestes voos longos, pela minha total incapacidade para dormir. Leio, mas não entendo o que leio. Penso, sem perceber que penso e o que penso. Nulidade absoluta, é como me sinto após meia dúzia de horas de viagem. Na biblioteca do Kindle escolho releituras como exercício para o meu cérebro de mosquito – debalde: O meu cérebro parece perder para um mosquito…
Update: Este texto seguiu a minha recente mania de escrever em voo e retocar/revisar depois dos pousos, antes de postar. Porque o cérebro não havia voltado ao tamanho normal, deixei escrita uma inverdade, que a Nina não tolerou: Como me atrevi a dizer que a “nossa” TAP nos serviu um jantar na madrugada, se foi um desjejum que na madrugada nos foi oferecido?! Aqui fica a correção – pousamos em Lisboa às 03:00, hora de Brasilia.
Turbulência
Posted in Uncategorized on 09/10/2016| Leave a Comment »
Esta coisa chacoalha feito peneira, aqui na cozinha. Assento 28A de um A320. Há alguns dias ocorreram algumas tonturas que imediatamente atribuí a uma provável volta das crises de labirinto experimentadas há alguns anos. Decorrida meia hora de voo sob forte turbulência de alto nível, nenhum efeito indesejável surgiu para além do incômodo natural habitual. Isto pode ter bons ou maus significados: 1-A crise de labirinto foi superada; 2- Não era crise de labirinto e nesse caso, como não sei o que poderá ser, opto por esquecer os dois dias em que andei com a sensação de que caminhava sobre algodão.
Eu não moro no município do Rio de Janeiro, nem sou eleitor. Há também a considerar a minha tão repetida aversão aos políticos de todas as tendências. Mas ontem minha atenção voltou-se para alguns posts da Cora (Ronai) e acabei sentindo o drama em que o carioca, sempre disposto a alvejar os próprios pés, arrumou nesta eleição para Prefeito da capital. Para escolher o menos ruim de dois no segundo turno, eles têm à disposição um Marcelo que poderá vir a ser um Freixo-da-Espada-à-cinta das esquerdas mais radicais e um Marcelo, da família dos Crivellas, brandindo radicalmente as Cristianas escrituras, que poderá tentar arrastar para dentro de um estado que se quer laico. O problema é mesmo complicado porque nós, os de fora mas que seremos afetados de muitas formas, não poderemos gritar: “O diabo que escolha!!”, porque desta vez, ele, o diabo, não irá mesmo querer se envolver…
É Lógico!
Posted in Uncategorized on 04/10/2016| 3 Comments »
Ultimamente tendo a dizer o que penso sem pensar muito no que vou dizer. E, neste momento, ocorreu-me dizer que 0+1=1. É uma sentença que ninguém é capaz de refutar. Isso deixa-me poderoso, cheio de razão. Animado, vou ainda mais longe e atrevo-me a arriscar a afirmação de que 1+1=2. Se ousasse dar algum palpite político sendo eu por mim próprio reconhecido como um desafeto das terríveis coisas políticas, estaria arriscado a ser contestado e até destratado. Mas eu, pelo menos neste momento, quero apenas ser um ser lógico com o poder de uma razão que é a razão do meu poder. Resolvo então dar mais uns passos em frente, defendendo com unhas e dentes que 1+2=3, progredindo depois nessa trilha de pedras lógicas para tropeçar no numero 5 e imediatamente dar de trombas com o 8, o 13, 21…
Se você acha que o meu caso é de insanidade lógica aguda, dê um like neste arrazoado.
Caricatura
Posted in Uncategorized on 22/09/2016| Leave a Comment »
Descreveste-me encurvado e envelhecido.
Encurvado, envelhecido e tristonho.
Caricatura de mim,
que de mim a natura redesenhou o corpo,
usando as ferramentas do passar dos anos.
Olha-me nos olhos e diz que me reconheces
Diz que nada mudei e outra pessoa eu não sou
Ajuda-me a encontrar-me, se perdido eu estou
no seio de um mim mesmo que desconheces
Enjoo
Posted in Uncategorized on 20/09/2016| Leave a Comment »

Experimento uma espécie de enjoo neste meu hábito de escrever em voo. Até deu rima e isso deveria deixar-me pra cima – Olha! Rimei de novo. Será porque voltei a com mais frequência voar e isso já me está a enjoar? Pensando bem, os voos nada têm a ver com o meu enjoo e é afinal com o stress que me magoo. Retorno para Salvador, a caminho de mais um período de trabalho difícil. Volto contrariado e apreensivo, devo dizer-me e principalmente, convencer-me.
“Escrever”, escreveu Pessoa, “é esquecer; Esquecer a vida”. Mas, aqui para mim mesmo, eu não sinto que, enquanto escrevo, esqueça o tanto desta vida que me apavora, que me atormenta. Diariamente surgem novos motivos para sentir-me atormentado. Sou hoje muito mais velho que Pessoa, ao tempo em que ele escrevia seus textos e poesia e acreditava que tinha à sua frente muita vida para esquecer. Com esta idade, não me restam ilusões enquanto escrevo meus arrazoados e poesia sem reconhecível valor literário. Também não me acho capaz de camuflar os dramas da vida cobrindo-a com um fino manto mais ou menos habilmente tecido com letrinhas. Viver no segundo milênio é desafio insano. Meus netos vão estudar dezoito ou vinte anos para saírem feito nômadas à procura de sobrevivência nos cantos mais remotos do planeta, tal e qual o faziam hordas de famintos analfabetos ao longo da maior parte do século XX.
Naquele tempo, uma pessoa letrada como Pessoa, lograva sobreviver muito bem do seu trabalho de simples amanuense bilíngue, empregado de escritório de importação e exportação, com tempo de, ao cabo das oito horas regimentais, se perder da vida enquanto se embrenhava, criativo escriba, no emaranhado da sua admirável pluralidade.
Southbound
Posted in Uncategorized on 16/09/2016| Leave a Comment »

Meu humor está muito diferente neste voo. Estou, desta vez, na proa certa em direção aos meus anseios. Antecipo a visão da minha recém-nascida netinha, Clarice, que ainda não tive oportunidade de conhecer. Isadora festejou dois anos sem a minha presença. Agora eu vou fotografá-las até fazer calo no dedo do disparador…
O voo dura só uma hora e pouquinho. Pouco tempo, muito tempo, depende de como gastamos esse lapso de tempo. Tempo tem toda a importância na minha idade porque poderá não ser tão grande o saldo restante. A passageira do meu lado conversa em meias palavras e frases truncadas em inglês com seu companheiro de voo e, pelo que ouço, companheiro de trabalho, sobre a reunião que integrarão à chegada. De repente o tema da dupla deriva para amenidades culinárias indianas. Constato que o interlocutor da minha vizinha de assento é indiano ou paquistanês. De repente fico com apetite e desejo de saborear um delicioso rice and curry. De lagosta, porque não? Já que o desejo fica só no desejo, desejo comer arroz de caril com pedaços generosos de cauda de lagosta.Para beber, eu prefiro um geladíssimo vinho verde Alvarito. Na sobremesa, fruta, mousse, vinho do Porto, seguido de um bom café expresso e brandy Antiquarius
Acordo abruptamente para a realidade, pela força e susto de uma violenta ascendente que teria derrubado a louça e o que restasse do divino Antiquarius…