Archive for the ‘Uncategorized’ Category
A Muqueca
Posted in Uncategorized on 22/11/2019| 2 Comments »
Far niente musical
Posted in Uncategorized on 17/11/2019| Leave a Comment »
Hoje é Domingo – dia semelhante a todos os outros dias dos meus dias de simples mortal ex-extremado destemido trabalhador dos poços de petróleo no meio do mar, presentemente reduzido a um far niente tão ou mais mortalmente perigoso que o exalar de H2S pela boca escancarada de uma mesa rotativa. Acompanhado, como sempre, da minha +quetudo, subi esta manhã a chuvosa, nevoenta e fria mas sempre maravilhosa serra da Arrábida em andamento lento e meditativo, arranhando prazeirosamente enquanto conduzia, a costura da perna do jeans dela, como se harpejasse as cordas da “outra”…
E ela ali está agora, ao alcance do admirar do meu olhar – mudo e respeitoso olhar! O instrumento guitarra que estou a anos-luz de dominar ao nível a que me atrevo imaginar dominar. Estudo acordes que a minha mão não logra alcançar, digito exercícios de solos impossíveis para meus artríticos e emprerrados dedos, comandados por um cérebro que julgo reduzido a meia dúzia de heróicas estoicas remanescências neuronais, as quais bombardeio a cada momento com pentatônicas que sempre acabam em frustrantes cacofônicas… Voilà!
Frustrado por insuportável e vexante sentimento de insuficiência neuronal, insisto todavia e prossigo no uso dos energéticos suplementares que logro separar e extrair das minhas próprias vaidades, para auto alimentar-me, autoalimentando meu ego. Por isso eu sonho com mais fancy guitars que eu possa pendurar nas paredes do studio. Isso é, em última análise, um alimento para as tais minhas vaidades, enquanto tento convencer-me a mim próprio e as pessoas do meu núcleo, de uma hipotética proficiência musical que na realidade atualmente não possuo…
Escuta!
Posted in Uncategorized on 02/11/2019| Leave a Comment »
Tão pequena é minha voz
e de rouquidão atroz
que mal se faz ouvir;
Quisera fazer-me escutar
e a voz plena gritar
o que a alma está a sentir…
E o que a minha alma sente,
meu coração não desmente
e bate forte em descompasso
Nestes tempos de ira e perigo
Escolho os caminhos que sigo
e testo o terreno a cada passo…
Rolas, Periquitas…
Posted in Uncategorized on 21/10/2019| 2 Comments »

Rolas e Periquitas têm tudo a ver umas com as outras, separados que sejam os casos em que nada têm a ver umas com as outras. Nos vinhos, são ambos tintos excelentes e, no meu caso, não nego ser homem para, a um bom jantar, tomar Rola nas entradas e não dispensar Periquita no decurso da função. Ou vice versa, para não ser mal interpretado…
Dia fúnebre
Posted in Uncategorized on 19/10/2019| Leave a Comment »
Cansados, olhamo-nos em muda recapitulação de um duro dia vivido em meio a emoções fortes e mais de oitocentos quilômetros rodados no nosso pequeno C3. Filtramos os eventos, a reunião dos primos raramente vistos, as tradicionais cerimônias fúnebres na Capela, seguindo-se a missa de corpo presente na nave principal da gigantesca e bela Igreja do convento de Santa Maria de Salzedas, com seus quase mil anos de construida, o lúgubre cortejo com tanta gente da aldeia em silenciosa caminhada pelo longo e íngreme caminho calçado a granito polido por gerações, em direção à derradeira morada, no monte da Senhora da Piedade.
“Não quero nada daquilo”, disse, quebrando o silêncio; “Cremado sem cerimoniais, por favor; Sem missas, sem encomendas filsóficas ou religiosas. Depois, soltem as cinzas ao vento, preferencialmente no mar.”
Dito isso, rendidos, deitamos e dormimos, enfim, já alta madrugada…
RIP
Posted in Uncategorized on 17/10/2019| Leave a Comment »
Tia Amelinha era, tal como sua mãe, minha avó Preciosa, uma mulher franzinita de aparência frágil mas de surpreendentes reações de fortes a fortíssimas, que raramente aceitava levar desaforos para casa. Ela ajudou na minha criação, num período de agudos problemas familiares de saúde e resultantes impactos econômicos e por isso conservo páginas sem conta de recordações de infância em que ela é muito presente. Procurei descansar o espírito há dois dias atrás, espraiando meu olhar pelas belíssimas serranias em torno daquele hospital em Vila Real de Trás-Os-Montes, buscando na Natureza a conformação para a inevitabilidade da finitude, ditada pela mesma Natureza que tanto os olhos e a alma delicia. Tia Amelinha franzinou-se a um fio, com sua vida por um fio, ligada a tubos e máscara de oxigênio. Restam as recordações que fluíam enquanto admirava as profundezas do vale do rio Corgo.
Agora chegou a temida nova: Tia Amelinha partiu, finalmente…
Duvido-me
Posted in Uncategorized on 14/10/2019| Leave a Comment »
Pergunto-me com frequência
da minha vida a realidade
Se é embuste minha existência
ou se existo mesmo, de verdade.
Tenho por dúvidas coisas tais
que me belisco ao acordar
Questiono-me por demais,
mas respostas, eu não sei dar…
À Procura da Arte…
Posted in Uncategorized on 01/10/2019| Leave a Comment »

“Quem somos
Porque viemos
Nalgum lugar apercebi
Que existia razão
O sonho de uma existência
Um sentimento rodeado de paixão
Do ponto de partida me afeiçoei
Do ponto de partida me aperfeiçoei
Pelo caminho desvendo olhares
Nesta estrada encontro lugares
Ao desenhar desmistifico
Ao pintar um mexerico
Já posso dizer
Que desta procura
Encontrei um lazer”
(Gary Richard)
****
Gary procura a Arte nas palavras, no desenho, nas colagens, na pintura. Enquanto o faz, surpreende-se encontrando a si próprio no mais recôndido da sua Alma. Nesses encontros, depara-se, encantado, com a criatividade incólume e atraente, como uma maravilha muito sua que logrou sobreviver…
Vinha, Ciência,
Posted in Uncategorized on 27/09/2019| Leave a Comment »

Se o tema de alguma conversa for vinhas, o que emerge na mente é a inesquecível infância e as férias plenas de recordações, diversão e nem tão poucos medos, nas vinhas do severo avô Oliveira, debruçadas sobre os sucalcos esculpidos a braço nas acidentadas cercanias de afluentes e subafluentes do rio Douro! Setenta anos depois, aqui, nesta pequena vinha em topografia muito menos acidentada ao sul do Tejo, as videiras continuam a exigir os mesmos procedimentos, tratamentos e preocupações daquela época. O não usual, é que o mesmo homem que poda, enxofra, sulfata e acaricia todas essas fiadas de plantas viníferas, também projeta, constroi, e ergue sozinho, a ferro, fogo, imensa paciência e paixão, essas estranhas estruturas com que escuta longínquos sinais do espaço, ou bem mais terrenos sinais de voz e morse entre estações de rádio, usando a superfície lunar como reflector. O viticultor cientista, de admirável e aparentemente enesgotável conhecer eletrônico, que tudo produz com suas próprias mãos e nada compra feito salvo componentes de eletrônica, é também um artista na fabricação metalo-mecânica. Confesso-me orgulhoso por ser esse fulano tão especial, meu cunhado…
Chove
Posted in Uncategorized on 21/09/2019| Leave a Comment »

A chuva, finalmente! Havia muito que a não via e dela saudade sentia, sabia? E esse barulhinho da chuva apazigua alguns fantasmas que, aqui ou ali, me saem ao caminho, me atormentam e alimentam uma indesejável sensação de stress. Não mais suporto pressões, porque foram sobre mim, ao longo da vida, permanentes e esmagadoras, as pressões. Por pressões tomo também os empurrões, puxões, agressões…
De viver sob stress
ninguém carece
ninguém merece
Ou até merecerão
aqueles sem coração
sem alma, sem perdão…