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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Incertezas

Faz-me um mal abrir e desenrolar o feicebuque…
Mesmo que para mim próprio queira negar, esse fastio e rejeição acerta em cheio a minha vontade de escrever. O que antes era uma compulsão, virou repulsão. A avidez criativa não mais existe em mim, penso. Eis que entra o setembro, sétimo mês das vigências anti Covid, das quebradeiras econômicas, desgraças e trapaças. Pessoas feridas, atingidas, compelidas a deixar suas áreas de conforto, arrastadas pelo caudaloso rio da amargura em direção a turbulentas águas de incertezas certas e perigosas.

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É da idade!

Decorre a segunda metade da sétima década de vida. O idoso julga-se senhor absoluto de si mesmo, acostumado que está às drogas diárias que lhe propiciam controle sobre a pressão arterial, diminuem a viscosidade do fluido hidráulico, minimizam problemas e riscos inerentes à arritmia cardíaca, mantêm estável a hiperplasia prostática, etecetera et al. Em outros tempos, sem fármacos, há muito que…ou talvez não, como saber?

Assusta-se, no entanto, com a crescente repetição de esquecimentos, distrações ou desatenções. Sente vergonha e recolhe-se em si mesmo, sempre que se flagra atingido pelos efeitos da idade que a idade não perdoa.

 

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Marasmo

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Pela milésima vez teclo um grupo de palavras, que espero serem capazes de compor um tal textão que parece estar prontinho num canto do meu cérebro. Mas as ideias desviam-se nas agulhas dos trilhos que eu próprio opero, fazendo a composição entrar num ramal sem saída e descarrilar. Melhor abandonar, até por suspeitar que o tal textão seria coisada de conotação política, bulindo nalgum vespeiro do qual não sairia incólume. A poesia é a via certa para ver-me livre deste marasmo. Só preciso livrar-me de mim mesmo.

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Caos

Tão estranho! Meu mundo me parece d´outro mundo

que não conheço e nele amanheço expatriado!

Tudo ao meu redor parece na iminência de ruir,

porque parece faltar sustentação, atenção, razão…

Que poderosas forças ocultas pararam o planeta

e destruíram a sobrevivência de milhares de milhões?

Um vírus? Mas…

…será tal vírus mais mortal que a galopante miséria,

doença e morte geradas pela estúpida estagnação, caos

e desorganização dos meios de vida?

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Como está fácil perder a compostura

e como está difícil encontrar a ternura…

É muito mais fácil perder as estribeiras,

que conter-se e manter boas maneiras…

Estão de volta os tempos de opressão,

da censura, da patrulha e da inquisição;

Esboroa-se o horror racista de antanho, (mas)

eis, às avessas, o neo racismo não menos tirano!

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Minimal

Sunrise4

Look at the colors of the Sun!

They’re mostly red and orange!

Isn’t the Sun so intimidating, son?

I feel so minimal and strange…

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Bolo

…e pronto! A bagunça foi arrumada, a crise passou, vieram os tios com presentes, veio o leão acompanhado de outros bichos. Houve bolo bonito e gostoso, sopração de velinha e parabéns ao vivo overseas via internet! Viva Isadora!

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cc

O que este dia tem de especial, é que a minha neta Isadora completa mais um aniversário. Completa-o em companhia de sua irmãzinha Clarice e de seus pais Vanessa e Alison, ainda encerrada, encerrados, em longo lock down dentro dos limites de um apartamento. O dia de ontem foi véspera do de hoje. Dia de preparações que as irmãs muito bem usaram enquanto seus pais se desgastavam em horas de tumultuadas reuniões profissionais on line, fazendo possíveis e impossíveis malabarismos para manterem seus empregos e prestígio. As meninas juntaram todos os shampoos e cremes e, diligentemente os espremeram sobre sofás e móveis. Continuaram o serviço de desinfeção e limpeza, trazendo água em quantidade que consideraram suficiente e passaram a enxaguar todas as superfícies duras e moles que haviam selecionado para tal função. Um dos pais, não sei qual deles, teve finalmente a chance de uma pausa no trabalho e veio investigar a razão do estranho silêncio das manas: A bagunça e o estrago eram absolutamente indescritíveis!…

Nesta manhã de aniversário, as irmãs encontraram os outrora cômodos sofás arrastados para a varanda, todas as louças sobrantes retiradas do móvel – digo sobrantes, porque durante a função de remoção uma prateleira desabou destruindo em cacos uma boa parte delas; As duas pestinhas, arrasadas pelo C-19, arrasaram o apartamento!…

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Penas

wrecksss (2)

Confesso-me num daqueles períodos em que da pena só penas me saem. Seria talvez um bom momento para aquele tipo de poesia-sofrência de rasgar o coração na canção. Contudo, minha decisão tem sido a opção do silêncio, até que a alma mais se alegre, eventualmente.

Se estou triste, é porque estou triste,

e triste julgo saber porque estou;

Julgo ser por esse mundo tão triste,

que essa desgraçada peste nos legou.

Nesse mundo em retrocesso

sobreviver ficou tão penoso…

Os valores viraram do avesso:

O mal é bom, o bem perverso,

sobreviver pode ser bem doloroso!

No entanto…

 

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Uno

Risingsun (2)

Sinto-me cansado. De tudo e de nada, porque o nada e o tudo confundem-se pornograficamente, como corpos nus numa imensa orgia. Nada faz muito sentido nas extravagâncias servidas ou sugeridas como remédios para as pestes – as várias pestes que me ameaçam a sobrevivência física e mental. Reconheço-me, todavia, coeso em mim. Quero dizer: Meus “Eus” parecem, no momento, permanecer unos em estado de defesa…

Por enquanto ainda sou eu

quem em mim por aí encontro;

pedaços de mim são tão eu,

malgrado um ou outro desencontro…

 

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