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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

“Boa noite, Tito Paris, muito gosto em revê-lo!”; e apertamos efusivamente as mãos, enquanto cruzávamos a entrada para o hall do teatro. Tito terá ficado a dar voltas ao miolo, de onde conhece o fulano que o cumprimentou como se tratasse de pessoa chegada ao seu núcleo de conhecimentos, ou núcleo profissional. Porque um simples fã teria provavelmente pedido uma selfie, ou um autógrafo colhido no programa da noite, que era de música clássica onde o artista era, como eu, mero espectador. Mas eu me classifico como um admirador do trabalho de Tito Paris e isso não inclui bajulação. Foi Nina que notou ao nosso lado a sua figura típica, com seu clássico boné. Aposto que por debaixo da samarra ele usava os indefetíveis suspensórios, outra das suas marcas pessoais. Enfim, admiro Tito Paris, não só porque ele é um bom músico e tem uma voz que muito me agrada, como e principalmente, por tão belas melodias que produziu para a Cesária Évora, diva da música cabo-verdiana. Na minha juventude em Angola, fiz-me apaixonado por mornas e coladeiras.

Agradou-me muito o concerto da noite, com a excelente Orquestra Clássica Metropolitana em toda a sua juventude! Abertura Coreolano, de Beethoven, Concerto para saxofone, de Glazunov, Sinfonia incompleta de Schubert. Menção especial para o solista, saxofonista M. Teles – admirável performance!

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A Livraria

Agustina acabou de completar um século de nascida e eu sigo lendo-a, já encarando o quarto de seus livros, mas reconhecendo que preciso relê-los para entrar plenamente no âmago da escritora. Esta semana levaram-me até uma “livraria” situada numa praça de uma pequena povoação alentejana. Os livros lá empilhados são de puro mármore e convidam a junto deles sentar num dos bancos e mergulhar na leitura. Agustina foi lembrada, porque um dos livros de mármore tinha entalhado o título “A Sibila” …

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O Bolhão

O motorista do táxi explicava com entusiamo as virtudes do renovadíssimo mercado do “Bolhom”, apesar de concordar que falta aquela pitada de tradicionalismo das antigas peixeiras aparentemente zangadas umas com as outras, que soltavam com toda a naturalidade os mais cabeludos palavrões. O Bolhão não está mais o mesmo: Paredes e tetos reconstruídos, metais decapados das ferrugens, metalizados, primorosamente pintados, bancas de vendedores funcionais e bem organizadas. Tudo convertido em atração turística! No entanto, para mim, portuense de nascimento, há o saudoso vazio daquelas duas mulheres que noutros tempos surpreendi conversando sobre seus amores e desamores enquanto exibiam retratos dos amados, que de forma sacana passavam sub-repticiamente sobre o baixo-ventre. O falecido Chef Bourdain teve oportunidade de escutar duas peixeiras comentando sua altura: “…Ele é bem alto! Mas dizem que homem alto, piroca pequena!”

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Mediocrices

Com o último trimestre do ano em pleno curso, contabilizo a inutilidade do meu dia a dia vagando pelas internetas, assimilando coisas medíocres tratadas como grandes assuntos. O intestino muda-se para o cérebro, as ideias resultam malcheirosas e levam-me ao vexame de sentir-me descartável. Seria terrível, não fora o contraveneno de leituras sérias, produzidas em outros tempos por respeitáveis e venerados homens e mulheres de letras. Nos últimos tempos venho despendendo uns cobres a jogar nas lotéricas sortes, sem que sorte alguma premie os trocados investidos. “Jogar é a primeira tara da civilização…” escreveu num dos seus livros Agustina Bessa-Luís. Nunca fui, todavia e felizmente, jogador de compulsão, sequer jogador habitual. Mas, não sou de todo impermeável à promessa de milhões despencando em cascata nas minhas murchas algibeiras…

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Elisabeth

Nasci em 44, quando nas ilhas britânicas reinava o rei George VI e toda a Europa estava engajada na brutalidade da segunda guerra. Nessa data, Elisabeth Alexandra Mary seria uma alegre teen ager e, suponho, não imaginava o que lhe estava destinado em alguns poucos anos. Hoje, 70 anos decorridos de reinado e 96 de vida, ali estava ela rodeada de toda a pompa e circunstância a que faz jus, percorrendo os mesmos caminhos da coroação, só que, desta feita, em direção ao sepulcro.

No ano de 1957, tive oportunidade de vê-la de pertíssimo quando, havendo ela optado por circular pela minha cidade do Porto numa viatura aberta destinada ao transporte de polícia, passou muito lentamente pelo local onde me encontrava, comprimido junto da berma da rua pelos agentes de segurança, contra uma multidão indescritível concentrada no coração da cidade. Nesse tempo o Porto era especialmente anglófilo, com cabines telefônicas importadas de Londres, praças centrais poderosamente iluminadas por gigantescos painéis publicitários em néon dinâmico, montados sobre os telhados dos altos prédios, à maneira de Picadilly Circus. Enfim, a rainha influenciou o nome da minha irmã e a mesma anglofilia do nosso pai deu-me o nome daquele almirante de Trafalgar!…

Em tempo: Eu sempre admirei muitíssimo o carisma de Elisabeth II – que me perdoem os amigos antimonárquicos.

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Sábado

O Sol nasceu filtrado, em rubro penetrante que escorria pelas frestas e fenestras até avermelhar o banquinho e a guitarra, no seu cantinho feito um palco iluminado… Em pouco tempo, abria-se, poderoso e quente, neste dia de sábado de céu glorioso. Glorioso e escandalosamente azul! Nina excedeu-se na preparação de um red fish dos gelos, que escapou à voracidade dos bacalhaus para acabar no nosso forno. Enquanto sua alvíssima carne era lentamente saboreada, ocorreu-me imaginar e descrever um daqueles pedacinhos no fundo de um enorme prato ornado com dois arabescos feitos com fios de azeite, um touch de verde com pequeninas folhas. O nome do prato no Menu seria “Poisson Rouge aux fines herbes”, com duas estrelas no Michelin. Degustei mais um gole da minha taça de vinho tinto, fermentado de uvas das castas Aragonês, Castelão e Trincadeira, colhidas nas vinhas das terras quentes do Baixo Alentejo,13,5% GL com excelentes sabores frutados, de 5 euros por litro, como se fosse um “gran cru” de preço extravagante. Como sobremesa, optei por um Romeu e Julieta com queijo de ovelha curado, marmelada caseira feita pela minha irmã, com banana da Costa Rica. Não resisti e fui dormir a sesta…

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Memória

Sobreviver incólume a um inferno de fogo! As três mil almas nas torres gêmeas do WTC neste dia em 2001 não tiveram tal chance e foram imoladas/esmagadas sem dó nem compaixão. Não esqueço, não perdoo…

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Odisseia

Decidido! Desta vez faríamos jus aos caraminguás há tanto tempo pagos pelos ingressos sênior para visitar a Quinta. Havendo certificado que os ingressos estavam ainda válidos e à mão no telelé, programei o GPS para as coordenadas da entrada da desejada Quinta. O resto foi mú-mú: A2, A5, IC19, chegada a Sintra, N375…bingo! Eis-nos nos portões principais da Quinta. Agora só faltava arrumar um lugar pro carro. A estradinha estava coalhada deles – de carros e fomos avançando de mansinho, convencidos que em algum momento surgiria um espaço. 500 metros depois, descemos uma ruazinha que descobrimos sem saída e sem vagas – voltamos para descobrir que a estradinha que nos trouxe, era sentido proibido para retornar! Lá seguimos subindo para o desconhecido, cada vez mais longe do objetivo, cada vez mais embrenhados no serpentear de estreitas vias no meio da floresta, entretanto com a bexiga estourando. Eis que surgem os portões forjados de uma outra Quinta que não a Quinta que pagamos. Deve ser uma Quinta menos importante, porque sobravam vagas no estacionamento em frente. Havia também mesas rusticas com famílias devorando seus farnéis à sombra magnífica das frondosas árvores. Estacionei o carrinho e saí procurando um lavabo, um WC, um mictório. A moça da entrada da Quinta disse que se eu pagasse o ingresso, teria um “lá no fundo” – não sei se do inferno. Com vontade canina, procurei desesperadamente uma árvore naquele mundo de árvores. Encontrei-a num recinto emburacado, pejado de lencinhos higiênicos. Homem não costuma usar lencinhos para enxugar o biquinho do perú. Então, concluí, o lugar é mijadouro unisex e eu não perdi mais tempo. Felizmente a minha +que tudo não experimentava tal urgência fisiológica e esperava-me dentro do carro, tranquila e mordaz, escutando música. Foi longo o caminho florestal percorrido até ao retorno a Sintra, onde esperávamos finalmente estacionar e de lá cavalgar um tuk-tuk salvador que nos conduzisse às portas do paraíso iniciático. Mas também lá, entramos em labirínticos caminhos seguindo setas idiotas e mentirosas. O saco estourou e, perdido, programei o GPS para me guiar de volta a casa. Quando à Quinta, coloquei no som a de Beethoven…

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Despertar

…E lá está o Sol que rompe as névoas da madrugada, por entre meus repetidos bocejos de mal acordado. Brilhará ao longo de mais um magnífico dia de incomparável azul-celeste, ou não; dizem que teremos umas chuvicas esta semana. Que venham, para regar um pouco toda essa secura e pincelar de verde-esperança, o negrume da terra queimada…

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Volta

Na ausência, relocalizei-me e reciclei-me. A reciclagem poderá não ser muito credível, contudo, porque não fui capaz de defini-la. Nessa ausência de razões múltiplas, que poderão até ser condensadas em perda pura e simples de confiança em mim próprio, senti volatizada toda a vontade de escrever, enquanto ruborizava envergonhado, se relia textos meus. Na procura por energias, prossigo em leituras e releituras – Marcel Proust, Agustina Bessa-Luís…

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