
Estávamos no ano de 1957, eu acabara de sair da escola após mais um dia de aulas e práticas, acompanhado de dois colegas. Subíamos a íngreme rua Júlio Diniz em direção à rotunda da Boavista. Os colegas embarcariam num comboio na estação ferroviária da Boavista, enquanto eu subiria num “elétrico” da linha 4 para o meu bairro. Durante a nossa caminhada, o assunto era apenas um: O Sputnik que os russos haviam lançado ao espaço com sucesso! Era algo tão irreal, que só nos dava para fazer piadas mais ou menos estúpidas, normais, afinal, para a nossa idade. Na minha cabeça, não tardaria e as tão admiradas aventuras do Flash Gordon, Buck Rogers e outros “heróis” do espaço, seriam realidade. Decorreriam mais 12 anos até que atrevidos terráqueos, usando recursos técnicos que hoje chamaríamos de primários, extremamente falíveis, ousassem pousar no solo poeirento da Lua. Agora, mais de meio século depois, escrevo estas linhas sentado na minha sala, com imagens da NASA ao vivo no meu “telão” de 55”, enquanto a ORION se aproxima com aparente lentidão, daquela enorme rocha esférica flutuando no espaço, a que chamamos de Lua; a nossa Lua. Por enquanto, as imagens são as disponibilizadas pelas câmeras fixas na nave, de pouca sensibilidade, mas autênticas. Entretanto, a bordo, a tripulação está bem ativa em fotografar usando avançado equipamento e lentes poderosas, que nos disponibilizarão fotografias belíssimas…
P.S: Texto escrito ontem, dia 06/04/2026
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