
Sinto vontade de voltar a sentir vontade. Mas de quê, exatamente? Porque a verdade é que não sinto vontade de porra nenhuma. Estou ficando tão indiferente com o que se passa neste louco planetoide no qual eu ainda vivo, que me surpreendo desinteressado até mesmo pela minha própria pessoa, enquanto humanoide desse mesmo doido planetoide. Continuo, é verdade, alimentando-me, tomando banho, dando alguma atenção à minha companheirinha, que vai, por seu turno, ficando cheia de aturar minhas silenciosas esquisitices. Ainda bem, que as minhas esquisitices são silenciosas! Já imaginou se me dá para a violência verbal?! Suave é a noite que espreito, enquanto saboreio um cálice de vinho do Porto da vinha da Dona Antónia, um Tawny com 10 anos. A minha fuga foi agarrar- me ao espirituoso, que tomo com extrema moderação: Um só cálice mais, porque a garrafa acabou…
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