
Gastei longos anos da minha vida, embarcado em navios e plataformas de perfuração e completação. Dureza de vida, equipamentos gigantescos, ferramentas pesadas, trabalho com bastantes riscos, que minimizava levando a sério tudo o que estava e está escrito nos manuais e procedimentos sobre segurança. Mesmo assim, em tempos idos, recordando a vivência a bordo de um certo Navio-Sonda que por certo já terá sido sucateado, eu arrisquei demais a própria pele em ações tais como substituição de cabos de tensionador de riser, mergulhando no “moon pool” com mar bastante forte, forte o suficiente para arriscar ser esmagado entre a onda subindo de encontro à base do anel tensionador. Por estranho que possa parecer, sinto imensa saudade desses riscos, dos porres de adrenalina, da indescritível satisfação quando tudo dava certo na operação da unidade. Interessante, dizer que atravessei diversas fases em que o petróleo bruto não passava de 12,00 USD o barril. No entanto, ele chegaria a próximo de 200,00 USD o barril, que levou a enormes investimentos na área. No momento, com o problema da guerra e fechamento de Ormus, o barril está a 94,20 USD, muito longe daqueles preços atingidos há menos de duas décadas atrás. Todo este preâmbulo, para afirmar que, na qualidade de orgulhoso ex-oilman, não adianta tentar convencer-me a comprar um carro elétrico. A não ser como brinquedo caro, para passear nos limites da cidade. Nunca para viajar sem sobressaltos. Geração de energia elétrica para a crescente demanda, especialmente com os consumos brutais dos centros de dados e computação quântica, enquanto não for desenvolvida e viabilizada a fusão nuclear, impossível deixar de usar a energia fóssil. Se pudesse, eu voltaria de bom grado à plataforma…
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