Teria dificuldade em lembrar quantas vezes, durante a minha vida, me senti ufano e orgulhoso da minha nacionalidade, contra quantas vezes dela, da minha nacionalidade, me senti envergonhado. Confesso que, neste momento, sinto um misto de compaixão, pelos meus patrícios flagelados pelos elementos em fúria, mas ao mesmo tempo muito envergonhado pela incapacidade de reação a como as bestas políticas que governam neste momento o país, tratam o desastre enorme em curso, exclusivamente pelos seus interesses partidários, em detrimento da total dedicação à resposta efetiva e exclusiva de atendimento aos cidadãos. Quero dizer que, todos os cidadãos, flagelados ou não, deveriam, de pleno direito, ter boicotado a eleição em tão terrível momento. Manter uma eleição com o país num caos de destruição e cheias devastadoras, é decisão de um poder apodrecido e sem qualquer credibilidade. A história os julgará, enfim…
Archive for Fevereiro, 2026
Bestialidade
Posted in Uncategorized on 11/02/2026| Leave a Comment »
Madrugada
Posted in Uncategorized on 06/02/2026| Leave a Comment »
O ruído do meu silêncio supera as batidas irregulares do meu coração, até que um desalmado passa com sua moto diabólica soltando rateres a meio da madrugada. Amaldiçoo a máquina e praguejo, desejando que o engenho exploda no meio das pernas de quem o opera. Acordei; as sístoles superam, sim o meu silêncio; coloco a mão no peito e certifico-me que ainda posso sentir e ouvir, porque o meu ouvido direito ainda cumpre, mesmo que que as más-línguas digam que estou surdo. Posso é eventualmente fazer-me de surdo, de acordo com as conveniências. Mas a madrugada clareou em meio à escuridão e eu levantei feito fantasma, para tomar água e verter águas. Ficou difícil dormir de novo; minha pensatrix foi invadida e baralhada pelos invasores. Penso, porque efetivamente vivo, mas que penso eu afinal? Na morte da bezerra não será, por certo; cogitarei eu sobre o tanto que empobreci desde que, numa decisão estúpida, anunciei aos meus empregadores que estava efetivamente me aposentando? Ou no que perdi de faculdades pessoais em tão pouco tempo de envelhecimento? Na minha voz, fraquinha, mas extremamente afinada, que resultou em sons surdos pastosos, que não servem nem para partir tijolo? Viro de barriga para baixo e penso na minha namoradinha nos tempos de juventude, ternura e desvario; acordei já de Sol a pino…