
A capivara posou para mim sem reclamar. Uma pose bonita, aliás, enquanto lagarteava ao Sol da tarde no Parque Bariguí. Menos à vontade nos sentimos nós, humanos, com a presença no mesmo parque magnífico, de um elevado número de “fotógrafos” ou que diacho eles são, aboletados com cadeiras, guarda-sol, computadores portáteis e, especialmente, câmeras fotográficas de alta resolução equipadas com lentes poderosas, caçando descaradamente os rostos das pessoas passantes. Ao que parece, o interesse deles é os que se exercitam correndo em volta, mas pude constatar que disparam também sobre quem foi simplesmente observar as capivaras. Isso me parece atropelo ao meu direito à privacidade. Se não é, pelo menos não deixa ninguém tranquilo, nestes tempos de tecnologia IA e ferramentas de roubo de dados pessoais, onde o rosto é elemento primário de identificação digital. Há alguns dias, eu assistia a mais um Podcast da Sabine Hossenfelder, nada tranquilizador em relação à rápida e crescente perda de privacidade em aeroportos, transportes, lojas, centros comerciais e nas ruas das grandes cidades. Sem falar no WiFi, internet, celulares com localização, etc. A novela do George Orwell é nada…
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