Fernanda Torres está em destaque pelas glórias do Globo de Ouro, Óscar, essas coisas, com um filme em torno de um drama político. É pouco provável que, pelo meu cada vez mais profundo desinteresse pelas coisas políticas, algum dia eu assista. Mas devo dizer que, em tempos não muito longínquos, me habituei a gostar do desempenho dela em comédias televisivas, tais como “Tapas e Beijos”, que, confesso, me agradavam. E de tal forma me atraíam, que adquiri ao tempo do lançamento, o livro intitulado “Fim”, da autoria da atriz. O texto do livrinho chacoalhou-me de tal forma, que, acabada a leitura, postei um não-sei-quê de resenha sobre o que senti:
“Li e bebi no dia de ontem, de um só fôlego, o livro da Fernanda Torres. O texto, confesso, deixou-me nos apertados sapatos do septuagenário que resiste a reconhecer a realidade crua e nua de que o caminho está chegando ao seu termo e insiste em gastar seu parco saldo de vida e o que lhe resta de saúde trancado em longos períodos diários de trabalho, longe do mundo que lhe poderia dar, de fato, algum prazer neste vale de lágrimas. O “Fim” chegará, inexorável, tanto para os que encontram a suprema glória e gozo na esbórnia das longas noites etílicas dentro de puteiros infectos, como para os que como eu, levam vida dita regrada, familiar, monogâmica e mais ou menos careta.
Senti-me cansado ainda cedo e adormeci rapidamente, apenas para voltar a acordar duas horas depois, de bexiga estourando, e ficar tempo interminável no escuro, de bilau apontado por radar buscando o relaxamento e alívio completo, enquanto pensamentos atrozes me assaltavam. Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto, Ciro, suas esposas e putas…os caminhos deles para o álcool, drogas, andropausa, despirocação geral, broxite aguda, inchaço de próstata, sistema cardíaco descacetado. Que vida de merda, essa vida de machos estupidamente ufanos e fracos que termina de forma tão inglória! Voltei para a cama, onde a minha santa mais-que-tudo dormia o sono dos justos e sortudos. Ela, pondero, é sortuda porque não tem próstata para inchar nem tem um pau para endurecer...”
Deixe sua opinião