Fui, sim, dos que, enquanto solitário caminhante pelos calçadões da vida, se acontecia o Sol pelas costas, eu seguia a própria sombra e com ela conversava, até que, mudando de direção, a sombra de mim se despegava e o monólogo cessava, ou não; aparte os que por mim eventualmente cruzassem e se perguntassem com quem diabo eu estaria conversando, nenhuma atenção eu atraía para mim, com tal tão íntimo dialogar. E dialogar com um outro eu, mesmo sem sombra, não faz, ou não fazia de mim um fulano pirado, perturbado – muito longe disso. É que, nessas minhas introversões, eu e “ele” não raramente discordávamos, ou mesmo nos cindíamos, em aspetos da minha sobrevivência no ambiente donde a sobrevivência provinha…
“Há porções de mim que me renegam,
outras que, gentis, me querem e acolhem;
Há as partes de mim que me segregam,
outras que as diferentes partes agregam…”
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