Tão estranho me sinto, porque tão estupidamente frágil me acho. Pela segunda vez em menos de duas semanas, eu “rasguei” meu braço direito ao entrar na portaria do prédio. A fechadura magnética cismou de me agredir, raspando, com uma protuberância metálica, a minha fragilíssima pele de idoso indefeso. Não é que eu sinta que vá morrer disso, mas fiquei com uma péssima sensação de que até a alma riu da minha triste figura, quase chorando. Como nem tudo é derrota e depois do curativo feito pela Nina, que nem riu nem reagiu bem ao ocorrido, consegui finalmente sucesso na configuração de uma TV de 32” com a rede de WiFi. Testando todas as possibilidades oferecidas pela esperta máquina, eis que a tela se ilumina e me deslumbra com a extraordinária Barbara Hannigan cantando e conduzindo a si mesma e orquestra em “Girl Crazy”, de Gershwin! Ah como eu admiro essa supermulher de admiráveis poderes musicais! Será que o pai dela, se ainda existe, apesar de progenitor de uma tal “gênia”, também se deixa morder por uma fechadura? Um café forte alguma confiança me devolveu e me fez prometer aprender a evitar o agressor, quando por ele de novo passar. Por falar em aprender, há alguns muitos anos eu escrevia:
“Nesta vida aprendi…
Que nem tudo o que reluz é ouro
Que nem todo o cornudo é touro
e que o hábito faz, sim, o monge.
Também, que as aparências iludem,
além de que iludências aparudem
quando depressa se tenta ir ao longe…
Também aprendi…
Que hora a hora Deus não melhora
a espécie humana que só piora
e que não há males que vêm por bem
Que palavras são pelo vento rasgadas,
Que moinhos moem com aguas passadas
E que a razão sempre é de quem o poder tem…”
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