Sábado, derradeiro fim de semana do ano sem graça de 2024. Vejo, através da vidraça, o castanheiro carregado de ouriços que em breve cairão, mas não sei definir quando será esse “breve”, desse castanheiro do hemisfério sul. Do outro lado do castanheiro, na magnífica entrada espelhada, envidraçada, de um estabelecimento bancário, um casal desfaz o improviso do leito sobre o qual dormiram a noite. Ela penteia seus cabelos e eu me pergunto onde será que ela irá descarregar suas necessidades e oferecer-se um mínimo de higiene. Noto que o número de moradores de rua aumentou, com o aumento de retirantes vindos da riquíssima, porém paupérrima Venezuela. Quem diria?!!… e o meu pensamento voa para a minha infância, quando, na miséria europeia do pós-guerra, Caracas era miragem de eldorado! Isso explica os meus maus fígados que não suportam políticos. Nos últimos tempos não sou capaz de falar deles, dos políticos, nem para dizer mal…
Archive for Dezembro, 2024
Sabadando…
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É Natal!
Posted in Uncategorized on 22/12/2024| Leave a Comment »
E um novo Natal é chegado! E, se estou a escrever sobre tão importante efeméride, é porque, indubitavelmente, sobrevivi a mais um ano! Como é tempo dos oxalás, oxalá que eu possa escrever o mesmo no próximo Natal, daqui a 12 meses. São tantos os meus amigos, que não poderia a todos individualmente prestigiar, mas a todos um FELIZ NATAL eu posso e devo desejar!
Um grande Abraço de BOAS FESTAS, FELIZ ANO NOVO a todos os amigos e familiares!
Perdas e ganhos
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Na última sexta, teve Mahler 9 com transmissão ao vivo desde o Grande Auditório da Gulbenkian de Lisboa pela Orquestra da Fundação, dirigida pelo maestro finlandês Hannu Lintu. Foi o segundo concerto com a nona de Mahler este ano, sendo que o primeiro foi pela orquestra de Bergen. Este é um mês com muita atividade musical em Lisboa e arredores, levando-me a lamentar não estar em pessoa, nas salas onde magníficos concertos acontecerão. Também perdi as belíssimas iluminações da baixa de Lisboa, o bolo-rei da Confeitaria Nacional, as castanhas assadas em cada esquina. Por outro lado, tenho a oportunidade de passar mais um período de Natal e entrada do Novo Ano com a familinha local…
Little things I said…
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Dentre o que se possa considerar interessante no famigerado FB, é que, de quando em quando reaparecem postagens há muito por mim publicadas e que poderão ou não ser agradáveis de recordar. Hoje surgiram algumas e, por falta de assunto…
“ Estou aqui para dizer-me que nada tenho para dizer-me. Nem mesmo para me mandar a mim próprio à merda, que isso não faria o menor sentido na esterqueira vigente.”
Pensamento por mim exteriorizado há nove longínquos anos. Provavelmente era política a esterqueira a que me referia e, bem o creio, o esterco muito terá entretanto aumentado.
Mas, há dez anos, eu usava o idioma inglês (não me perguntem porquê), num encatarrado e lindo dia de domingo:
“You see…Love, is something splendorous that the whole wide world needs loads of. I woke up still alive and still in love! So, despite another bad flew, why should I complain in this splendid Sunday morning?”
Desinternet
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É extraordinário como uma súbita falha da Internet azeda o humor! Eu sopro, bato os pés no chão, xingo o que e os que poderão ter provocado tal horrível acontecimento. A TV não é opção e, voltar àquele livro que foi deixado a meio, ou mesmo iniciar outro título, é, reconheço, o caminho de todos os caminhos, mas com certa resistência, e ainda olhando de soslaio para as luzinhas mágicas do WiFi. Então, vejamos: Qual foi o título que me atrevi a abandonar? -Ora! Isso é fácil! -Marcel Proust, Le Côte de Germantes, encalhado na marca de 45% de lido…É que, triste de mim, não encontro coragem e disposição para enfrentar o gigantismo da obra. Sim, leio coisa mais fácil e volto ao desatino da net, quando essa cousa retornar. Antes que me julgueis, eu devo elucidar que leio a obra de Proust na língua original, o que, ainda assim, não me livra de merecidas críticas…
Aprendi…
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Tão estranho me sinto, porque tão estupidamente frágil me acho. Pela segunda vez em menos de duas semanas, eu “rasguei” meu braço direito ao entrar na portaria do prédio. A fechadura magnética cismou de me agredir, raspando, com uma protuberância metálica, a minha fragilíssima pele de idoso indefeso. Não é que eu sinta que vá morrer disso, mas fiquei com uma péssima sensação de que até a alma riu da minha triste figura, quase chorando. Como nem tudo é derrota e depois do curativo feito pela Nina, que nem riu nem reagiu bem ao ocorrido, consegui finalmente sucesso na configuração de uma TV de 32” com a rede de WiFi. Testando todas as possibilidades oferecidas pela esperta máquina, eis que a tela se ilumina e me deslumbra com a extraordinária Barbara Hannigan cantando e conduzindo a si mesma e orquestra em “Girl Crazy”, de Gershwin! Ah como eu admiro essa supermulher de admiráveis poderes musicais! Será que o pai dela, se ainda existe, apesar de progenitor de uma tal “gênia”, também se deixa morder por uma fechadura? Um café forte alguma confiança me devolveu e me fez prometer aprender a evitar o agressor, quando por ele de novo passar. Por falar em aprender, há alguns muitos anos eu escrevia:
“Nesta vida aprendi…
Que nem tudo o que reluz é ouro
Que nem todo o cornudo é touro
e que o hábito faz, sim, o monge.
Também, que as aparências iludem,
além de que iludências aparudem
quando depressa se tenta ir ao longe…
Também aprendi…
Que hora a hora Deus não melhora
a espécie humana que só piora
e que não há males que vêm por bem
Que palavras são pelo vento rasgadas,
Que moinhos moem com aguas passadas
E que a razão sempre é de quem o poder tem…”
Delícia
Posted in Uncategorized on 02/12/2024| 3 Comments »
…Atendi o celular da Nina. Era a mais jovem das duas sobreviventes irmãs da minha mãe. Ela conta oitenta e muitos, nem sei ao certo, mas achei sua voz “poderosa” demais para sua idade! E ocorreu-me que ela poderá ser sorteada com a mesma longevidade da irmã mais velha, que completará 105 no próximo mês de março! Ela queria conversar com a Nina e eu disse que ela estava terminando de “segar o caldo” e logo iria retornar. Eu, realmente falei “segar o caldo” e isso me carregou pelos anais do tempo, para um tempo e local em que para comer esse caldo usaríamos as “malgas”, “frigideira” era “sertã”, assadeira de barro a minha avó chamava de “pingadeira”, fruta que amadurecia antes era “temporã” e o seu antônimo era “serôdia”. O dejejum matinal era “mata-bicho” e incluía aguardente bagaceira. Continuei lembrando que bicicleta era um “andarilho” e, se o dito tivesse motor era uma “espeidorreira”. Sinto-me deliciado em recordar essas coisas…
De volta…
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Um resfriado ou gripe, marca para mim o primeiro dia do último mês do ano de 2024. Espirro sem parar, supura o meu nariz em bica. Mau humor é que não me falta, acompanhando a dor de cabeça. Os antigos diriam: “Ainda bem, é sinal que ainda tens cabeça!”. Engraçado eu dizer que “os antigos diriam”, sem dar-me conta que eu sou agora mais idoso que esses antigos eram, quando assim me falavam. Enfim, repito para mim próprio o ditado: Se me dói a cabeça, é porque a mantenho sobre os ombros. De resto, desci de novo ao hemisfério sul, e não sei se foi por isso que me resfriei, a fim de passar um bom longo tempo com os que nos são queridos, para além das festas de Natal e passagem de ano…