
O Rei Sol nasceu filtrado em frente à minha janela. Parece fogo, o efeito do contraluz, mas não é. Não aqui, em frente à minha janela de sortudo que não está entre as vítimas da criminosa incineração da Terra Portuguesa! Terra, animais, vegetação – malditos sejam eles, quem quer que sejam! Lembro da minha infância em terras nortenhas; verão intensíssimo, calor insuportável, tudo pavorosamente seco. Eis que tanto calor desanda em temporal elétrico medonho – populacho de joelhos pedindo perdão pelos seus pecados, voltados para o monte da Santa Bárbara bendita, a quem pedem proteção! Quem sabe foi ela que não deixou os raios e coriscos aos milhares incendiar toda aquela terrível secura? Testemunhado por mim, escriba destas linhas, que tal vivenciei há cerca de oito décadas, quando ainda não havia sido inventada a teoria da mudança climática…
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