Porque será que tanto mexe comigo Florbela Espanca? Aliás, Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, assim batizada em 1894, Vila Viçosa. E lá, na sua terra natal eu a encontrei hoje, no seu mausoléu de branco mármore. Emocionei-me como se viva ela estivesse ali, falando comigo! Eu queria contar-lhe a piada do comerciante de Évora, mas não tive oportunidade. Preferi deixá-la carregar-me nos seus rubros versos…
“Das noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas
Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas…
Os meus lábios são brancos como lagos
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…
Sou chama e neve branca e misteriosa
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu poeta, o beijo que procuras!“
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