Pela segunda vez em curtíssimo tempo, tive de lamentar o passamento de pessoa de família. Em nenhum dos casos fui surpreendido, porque as duas pessoas, ambas primas direitas, se encontravam gravemente enfermas, apontando para quasi certa irreversibilidade. Para além da perda das primas, não posso deixar de lamentar o longo tempo de sofrimento delas e das famílias que com elas conviviam diariamente. Se temos de morrer, porque não fulminante?
Há já alguns bons anos, ainda produtivo e trabalhando muito, consultei um cardiologista em Macaé, RJ, que após fazer-me um eletrocardiograma, despendeu uma enormidade de tempo medindo com um paquímetro, o espaçamento de cada sístole. Ao fim desse período que me pareceu uma eternidade, ele ameaçou-me de “morte súbita”, tal o nível de arritmia apresentado. Para alguém que, feito eu, repetia nos meus escritos o convencimento de ser um caso raro de imortalidade, tal afirmação foi chocante! A arritmia junta com fibrilação atrial é, pois, como que uma lâmina de guilhotina permanentemente armada. Morte súbita não é mais o meu maior receio. Terror é a possibilidade de ser pesado a alguém por longo período. Daí eu cumprir a medicação diária prescrita, contrariando a vontade de jogar os comprimidos no lixo…
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