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Archive for Fevereiro, 2023

Tár

Sou fascinado pelas sinfonias de Gustav Mahler – de todas elas, sem exceção, de 1 a 10. Pouco antes da peste chinesa, fiquei fielmente ligado na LSO – London Symphony Orchestra, sob Simon Rattle, num período dedicado a Mahler. Com alguma sorte, quando a sala do Barbican Centre era  completamente vendida, alguns concertos acabaram transmitidos ao vivo. Eu não perdi nenhum deles e não deixava de interagir pelo chat, exteriorizando meu aplauso e mexendo com a admirável Maxine Kwok, virtuosa primeiro violino que sempre usou os cabelos tingidos com as cores do arco iris. Ela é amiga de Sara Chang, outra grande violinista de quem sou super fã. Eis que Mahler me arrasta de novo por novas emoções com o sucesso de um filme de Hollywood em torno de uma maestrina genial, temperamental e de poder à flor da pele, como nem tão raramente poderemos encontrar na vida real. Lydia Tár é uma personagem fictícia, mas foi tão magistralmente trabalhada pelo Screenplay writer e diretor Todd Field e na extraordinária envolvência de Cate Blanchett, que, confesso, cheguei a procurar no Google, convencido tratar-se de mais um trabalho de cine biografia. Na sequência, gastei horas assistindo teasers, entrevistas e discussões, cada vez mais subjugado pela inteligência e capacidade de toda aquela gente. Blanchett não é condutora, é atriz, não é alemã, é aussie, mas a performance dela como condutora é elogiada por eminentes maestros e ainda, nas cenas de ensaio com a orquestra é em língua alemã que ela se expressa! Para mim, grande admirador de mulheres inteligentes, é assunto para continuar curtindo quando assistir ao filme. Sim, porque a verdade é que eu ainda não tive oportunidade de ver o filme e, permitam-me, estou tão fascinado pelo que vi e ouvi e ainda ouço no Youtube, que fico até com certo receio de me decepcionar!…

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“Ah…como meu coração brilha

Com luz própria feito sol…

Piso firme ao longo da trilha

caminho nesta sextilha

trauteando em si bemol

pr´ajudar no colesterol.”

E rio com vontade, caminhando sozinho, feito doidinho, para estranheza dos que por mim passam; trautear em si bemol só mesmo para rimar com sol, arrasando com o colesterol! Mas divirto-me enquanto caminho e diluo presságios nas cores incomparáveis da natura, que me atura, em vida, para me devorar após-vida. “Após vida”?! Sim, após-vida – eu sou o dono do arrazoado e escrevo o que me dá na gana. Prossigo a caminhada, admirando aquela moçada no futvôlei esforçada! Não é mais pra minha idade! Essa é uma verdade, plena de realidade. Bem, hora de voltar para ela não esperar, não desesperar porque estou a demorar. Vamos ver qual é o kitute que ela tem pr´almoçar neste mardis gras…

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Retrocesso

Para ajudar a enfrentar estas e outras agruras dos tempos presentes, nada como um magnifico strogonoff de camarão preparado pelas mágicas mãos da Nina, acompanhado de um excelente vinho branco de 13% à temperatura ideal, pelo menos ao meu gosto: Bem gelado!

Desisti de tentar encontrar a data em que, pela primeira vez, nos desligamos da opção única de assistir canais abertos, aderindo definitivamente à TV a cabo e todas as suas atrações postas à disposição mediante a mensalidade paga à operadora. Mas, dia destes, depois de tantos anos, vierem aqui os técnicos da dita operadora, mediram a performance dos cabos coaxiais que passam sob o assoalho e anunciaram: “Para continuar com o nosso sistema, teremos de instalar cabos aparentes”. Eu disse “Não!” E eles cortaram a ligação ao modem. Como coisa ruim tende a piorar, enfrentei um estupido e longo processo pelo telefone, pela internet e em pessoa para tornar oficial, a minha decisão de cancelar o contrato de TV a cabo, retornando ao status de há vários anos lá atrás. Claro que as ligações do cabo de antena do prédio foram feitas por mim mesmo. O problema é que, não estando interessado nos desfiles de carnaval e porque as poucas estações abertas alternam esse tema com a devastação e tragédia das chuvas e o cada vez mais violento dia-a-dia do crime que impera nas ruas, optei por desligar a TV…

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Niteroi…

…tem seus encantos e nela eu gastei grande parte da minha vida. Depois de nem tanto tempo assim de ausência, algumas pouquinhas surpresas encontrei, que incluíram esse arranjo bem legal e atrativo, que está quase que permanentemente tomado por pessoas fazendo selfies. Tendo como back ground as belezas tradicionais do Rio de Janeiro e do MAC, é uma assinatura geográfica especial para o turista! E vou limitar-me às coisas boas da terra, porque as más falam por elas próprias…

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Let it be

O título seria para o texto anterior que não foi postado e por isso dele me aproprio para esta descarga das insuportáveis pressões internas que, teimosamente, vou adquirindo através da leitura aterrorizante das páginas antissociais. Eu, que tanto e tantas vezes cultivei canteiros de absurdo para compor os meus arrazoados, caio prostrado com os níveis inimagináveis de absurdo que grassam por esse mundo fora. “Vaguear pelo absurdo”, dizia eu então, “revitaliza-me, pela via do que de mais absurdo tem a minha absurda alma”. “E o absurdo”, continuava, “contém doses massivas de ilógico, profilática medicação contra os males da fria lógica que contamina e aflige o meu cotidiano.” Mas, (todavia, contudo), o absurdo atual é-o a tal ponto que ficou impossível ser contido e explodiu expelindo merda pelo planeta inteiro. Concedo sentir-me doente, incapaz de enfrentar o inferno em que o nosso pequeno e único mundo se converteu. Recolho-me e encolho-me no meu casulo e deixo correr, porque, na minha idade, nada há que eu possa fazer…

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