
Nasci em 44, quando nas ilhas britânicas reinava o rei George VI e toda a Europa estava engajada na brutalidade da segunda guerra. Nessa data, Elisabeth Alexandra Mary seria uma alegre teen ager e, suponho, não imaginava o que lhe estava destinado em alguns poucos anos. Hoje, 70 anos decorridos de reinado e 96 de vida, ali estava ela rodeada de toda a pompa e circunstância a que faz jus, percorrendo os mesmos caminhos da coroação, só que, desta feita, em direção ao sepulcro.
No ano de 1957, tive oportunidade de vê-la de pertíssimo quando, havendo ela optado por circular pela minha cidade do Porto numa viatura aberta destinada ao transporte de polícia, passou muito lentamente pelo local onde me encontrava, comprimido junto da berma da rua pelos agentes de segurança, contra uma multidão indescritível concentrada no coração da cidade. Nesse tempo o Porto era especialmente anglófilo, com cabines telefônicas importadas de Londres, praças centrais poderosamente iluminadas por gigantescos painéis publicitários em néon dinâmico, montados sobre os telhados dos altos prédios, à maneira de Picadilly Circus. Enfim, a rainha influenciou o nome da minha irmã e a mesma anglofilia do nosso pai deu-me o nome daquele almirante de Trafalgar!…
Em tempo: Eu sempre admirei muitíssimo o carisma de Elisabeth II – que me perdoem os amigos antimonárquicos.

