É na leitura que encontro, ou pelo menos tenho encontrado, o alheamento que tanto almejo. Alheamento da (para mim) insuportável realidade que me rodeia, cotidianamente descarregada em vómitos de fel pelos noticiários da TV que a mim chegam em sons surdinados, através das frinchas das portas que fecho para me isolar. Concedo razão a quem me considere um tipo bem esquisito que se tranca num casulo recusando ouvir o mundo, como se ao mundo não pertencesse. Mas sim, sei-me escravo desse cruel planeta onde nasci, lá atrás no tempo, num exato momento em que multidões de semelhantes eram queimados vivos em dantescos rios de fósforo descendo dos céus em nome da paz…
Na leitura, convenientemente escolhida de acordo com o meu desejo e humor do momento, logro transportar-me a outras dimensões, necessariamente menos catastróficas, ainda que, aqui ou ali, muito sofridas por amores que findaram ou que nem se iniciaram porque não correspondidos, ou descrevendo o penoso atravessar de grandes dificuldades de sobrevivência, porque viver é uma aventura que pode ser extraordinária, vencedora, ou miseravelmente ordinária…
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