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Archive for Junho, 2022

Caos

Porque é hoje, dia 30, o aniversário a que me referi na última postagem, deveríamos estar muito alegres comemorando doces lembranças. E tristes não estamos, em absoluto, porque a data encontra-nos, embora com algumas das mazelas esperadas no envelhecimento, perfeitamente capacitados, bafejados pela sorte por continuarmos senhores absolutos das nossas faculdades mentais, de locomoção, et cetera. De igual forma, regozijamo-nos porque tivemos até ao momento recursos para pagar o tanto que foi cobrado por profissionais de saúde, em acúmulo ao normalmente despendido em fármacos de uso contínuo, exames laboratoriais solicitados, sem que nesses procedimentos médicos se suspeite possam ser encontradas alterações de gravidade.

O que obscureceu a nossa data, foi seguirmos hora a hora, a horrenda situação da nossa Mônica e família, num total de seis pessoas, sendo quatro teens, enredados num espantoso caos aéreo em curso praticamente em toda a América do Norte, muito especialmente em Toronto, Canadá, em cujo aeroporto eles tiveram a desgraça de aterrar vindos de Lisboa, para pegar uma conexão para casa em Dallas. O voo da Air Canada já saiu ontem muito atrasado de Lisboa, perdendo a ligação, com promessa de um voo hoje, que foi também cancelado sine die. Até agora há pouquinho, nada havia de concreto a não ser a revolta, o extremo cansaço, a falta de roupa, porque a bagagem anda por lá perdida…

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A semana de festas tradicionais dos Santos Populares, tão populares no Rio de Janeiro, nordeste brasileiro e na minha terra natal, com a noitada do São João das Fontaínhas, teve também comemoração doméstica aqui no condomínio, com música, comes, bebes e enfeites típicos, bandeirinhas e balões. Uma alergia de pele que acometeu a minha mais-que-tudo, determinou nossa desistência de descer para a festa. A quadra marca mais um aniversário do início do nosso relacionamento: Foi há 59 anos e tenho a sensação de tal evento haver acontecido na semana passada, tão presente eu o mantenho na minha memória…

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Esta tarde deparei com uma Royal Enfield estilizada e moderna, de um preto fosco com a agressividade que sempre admirei nas motos “puro-sangue”. Alegre me senti, por constatar que, afinal, apesar da dominância japonesa, não tenham sido mortas e enterradas aquelas máquinas europeias, especialmente as inglesas, que povoavam os meus sonhos de garoto, nos tempos em que se corria anualmente uma espécie de TT imitação Ilha de Man que incluíam ruas e uma avenida do meu bairro. Eu ficava embriagado com o odor típico resultante da queima do combustível misturado com sei-lá-o-quê – talvez alguma poção mágica, que fazia as Norton, as BSA especiais, as Gilera e outras máquinas diabólicas subirem da Fonte da Moura a quase 200km/h e entrarem na estreitíssima rua da Preciosa sem qualquer margem para o mínimo erro! As Norton eram imbatíveis e ganhavam quase sempre, incluindo as corridas com sidecar, suprema loucura de um bando de suicidas. Para reduzir o extremo risco da rua da Preciosa, fizeram mais tarde uma variante pela rua do Lidador para a ligação com a circunvalação. De qualquer forma, acidentar-se de moto naquele circuito era quase uma sentença de morte! Recordações de criança portuense, enfim…

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Top Gun

Levantei da cama esta manhã e imediatamente senti tonturas semelhantes àquelas já experimentadas em crises de labirintite. Optei por não dar importância e atribuir a culpa ao Maverick. Vai ver que, enquanto dormia, a minha mente continuou sentindo-se como se amarrada no cockpit de um daqueles F18 em manobras violentas!…

Como se trata de um filme de Hollywood e não de um documentário, há inevitáveis clichés e momentos em que não consegui evitar um incrédulo “Bull Shit!” na sequência de algumas cenas mais radicalmente fantasiosas. No entanto, como apaixonado por aeronáutica, adorei e fortemente recomendo. A impressionante realidade conseguida nas cenas filmadas em voo, a bordo de autênticos F18 e não por recurso a software de mágicos programas gráficos, valem cada minuto despendido!

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O velho casal voltou a incompatibilizar-se por via de tretas políticas. Resultou entrarem ambos automaticamente no modo monossilábico extremado, que vai do silêncio absurdo a sons ininteligíveis, nada amigáveis. O homem recolheu-se cedo e sozinho, sem dizer boa noite; a mulher, atravessando um momento de saúde meio abalada, recolheu-se tarde e de sono prejudicado pelo problema médico e pela irritação. Na manhã seguinte, muito cedo ergueram porque a mulher teria que ir a um laboratório colher amostras de sangue para análise. Ensonada e mal-humorada, disparou: “fica na cama, que eu não preciso que me acompanhes!”; “Mas”, diz o homem, “eu quero ir contigo, faço questão de ir!”. Foram e voltaram, em jejum, calados, amuados e separados sem a mão-na-mão do costume. O velho casal parece não ter crescido…

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Fotogenia

Infernizado por um pedaço de acrílico invadindo meu espaço bucal, sentei e contemplei a vista oferecida pelo outro lado da Guanabara. Fotografei, com a contrariada sensação de que nada parece haver mudado no que meus olhos enxergam dentro dos limites do enquadramento, a partir da minha posição no Museu de Arte Contemporânea aqui em Niteroi. Agora, apreciando a foto expandida na tela, vejo que não foi só resultado do meu mau humor pela difícil adaptação ao fake dental; comparando a outras fotos minhas tiradas no mesmo local há muito tempo, só o software atestaria a atualidade da imagem de hoje. No entanto, sejamos justos: A paisagem é por demais linda e fotogênica!…

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“Papers!”…

Era eu ainda um pre-teen de pequena estatura quando me cheguei à bilheteria do pequeno Cine Olímpia, bem ao lado do gigante Coliseu, na minha inesquecível cidade natal. O homem do lado de dentro do guichet perguntou-me pelo documento que comprovasse que eu completara os treze anos; recuei sem um gemido, porque não, eu não perfazia a exigência. Os censores ao serviço da ditadura da vez haviam determinado que um filminho do Cantinflas (não lembro mais qual deles), não era classificável como “para todos”! Voltei para casa triste, magoado. Triste, magoado e revoltado, por não ter idade, contra a censura, contra tudo isso e o mais que me terá ocorrido no vendaval íntimo.

Agora há pouco, cheguei-me à única bilheteira “em pessoa” que encontrei disponível no Cinemax de um Centro Comercial e pedi ingresso para o Top Gun legendado (som original); após os costumes e antes de emitir o bilhete, a pergunta: “Tem o comprovante da vacina?”. Recuei sem um gemido, porque não, eu não tinha papers que me credenciassem como espectador do “Maverick”! Que pecado o meu, deslocar-me para o cinema sem lembrar-me que o meu mundo NUNCA foi livre e NUNCA será. Voltei para casa triste. Triste e revoltado, como naquele longínquo dia na minha bela e inesquecível cidade do Porto…

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Legado

Os anos por mim passaram, me atropelaram, os ossos me maltrataram. Em pleno ocaso, acabo por realizar que nada de notável realizei com o tanto que trabalhei, arrisquei. Corajosos e ousados feitos são tão somente e por lembrança, resgates da memória de longínquas venturas, aventuras, nem tão poucas desventuras…  

Perguntei-me agora há pouco

O que deixo pr’alguém lembrar

Optei por fazer ouvido mouco

para não me envergonhar…

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