O nome “Alda” tem significado especial para mim, menos pela minha grande admiração pela poetisa luso-angolana Alda Lara, que pelo fascínio que sobre mim exerceu Alda Quintas nos meus tumultos íntimos da transição de criança para teenager. Alta, esbelta, de movimentos resolutos denotando enorme autoconfiança, era quatro anos e meio mais velha que eu, uma enormidade de diferença, considerando a minha idade e o desesperante atraso no meu crescimento. Eu era um garoto de pequena estatura, que só “deitaria corpo” muito mais tarde. Ela era mulher – “feita”, linda, absurdamente atrativa. Secretamente, me auto confessava apaixonado por ela! Mas Alda tinha um amor. Um amor daqueles “de perdição”, controverso, combatido pela família, como era costume ocorrer no seio das famílias mais extremamente conservadoras daqueles tempos. Os furtivos encontros dos dois aconteciam sempre com o meu conhecimento e cobertura; Fui, pois, malgrado meu ciúme, minha dor de corninho, o poço sem fundo dos segredos do coração da Alda, até que a vida me conduzisse para outros horizontes.
Alda Quintas nunca foi vencida e viveu com Álvaro, seu grande amor, tal como sempre quis, por toda a vida, até que ontem, dia 19 de Janeiro, Álvaro partiu…
Deixe sua opinião