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Archive for Janeiro, 2022

Melancolia

Há um ano atrás, escrevia lamentando-me pelos meus “problemas ósseos” sem imaginar que tal sofrimento era nada, comparado com o que ainda viria ao meu encontro. Doze meses após, acordei e levantei-me neste cinzento domingo sem que sentisse qualquer sinal das dores que tanto me martirizaram e me tomaram ameaçadoramente a mobilidade. Mesmo assim, mal-agradecido, sinto-me estranhamente triste, como se escutasse um melancólico cello gemendo silenciosamente por entre o bater dos pingos da chuva sobre o toldo da janela…

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O Carango

Desci, armado de balde e trapos à garagem do edifício, decidido a fazer uma lavagem do carro “com pouca água”, como está regulamentado por óbvios motivos. Eram 13:30 quando liguei o borne da bateria e vi que o termômetro externo do painel marcava 37º. À sombra, claro. O meu Astra 2.0 CD de 18 anos de idade com apenas 130mil kms estava coberto de poeira e seria impossível sair com ele com os vidros opacos com tanta sujeira. E eu preciso sair para a oficina; problemas com freios, um amortecedor batendo, ar condicionado inoperante! Sem A/C não dá, neste calor insano do Rio de Janeiro. Depois vou procurar um doido que o queira comprar por uma merreca e meia acrescida da despesa que fizer na oficina. A meia sola é uma esperança de atrair um comprador…

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É Hora…

Chegar a hora de sair de Curitiba, significa a hora do afastamento do convívio diário com as netinhas Isadora e Clarice, com a nossa filha Vanessa e com o genro Alison. Deixamos, por consequência, o ambiente musical da casa, onde um piano, dois contrabaixos e 3 guitarras elétricas, dois violões e uma profusão de pedais e gadgets de efeitos, encontram espaço e harmonia com móveis e decoração de uma sala clássica, já devidamente tumultuada pela omnipresença de brinquedos espalhados, já que os pais das meninas tomaram de assalto o seu espaço de “brinquedoteca”, por resultado de os avós haverem tomado de assalto o escritório para servir de dormitório. A partir de hoje, tudo volta ao que era dantes, como diziam do quartel de Abrantes…

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Dez anos

A WordPress recorda-me o décimo aniversário desde a minha inscrição e início do meu Bloguinho. Já são, pois, dez anos de postagens das minhas “Mukandas do Nelsinho” nesta plataforma, depois de vários e vários anos noutra plataforma , onde cheguei a acumular mais de mil acessos por mês e que, num dia de destemperança asinina, eliminei de um só golpe, dizendo adeus a tudo o que nela havia publicado! Sacudo memórias do ocorrido, para não reviver toda a imbecilidade do ato…

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Meus cabelos estão desarrumados, em concordância com o caos das minhas ideias, sempre às voltas com ideais tão irreais, surreais, tão fora do atual tempo e espaço, que há muito já eram. O rosto que eu vejo é um desgosto de vincado, truncado, queixo múltiplo engelhado, boca com lábios meio deformados pela prótese dentária, sem a qual não poderia alimentar-me. A barba, quando desleixada, por fazer, fica completamente branca e por isso nem se nota tanto assim, afinal. As sobrancelhas são por mim próprio aparadas com lâmina de barbear, resistindo à tendência de assemelhar-me à figura de Mefistófeles do doutor Fausto. Noto que de alguma forma o nariz vem se modificando, mas não sei detalhar essa modificação. No entanto, apesar da feiura da minha velhice e da notável ausência de sorriso aberto, eu digo-me feliz por mais um dia vivo…

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Alda

O nome “Alda” tem significado especial para mim, menos pela minha grande admiração pela poetisa luso-angolana Alda Lara, que pelo fascínio que sobre mim exerceu Alda Quintas nos meus tumultos íntimos da transição de criança para teenager. Alta, esbelta, de movimentos resolutos denotando enorme autoconfiança, era quatro anos e meio mais velha que eu, uma enormidade de diferença, considerando a minha idade e o desesperante atraso no meu crescimento. Eu era um garoto de pequena estatura, que só “deitaria corpo” muito mais tarde. Ela era mulher – “feita”, linda, absurdamente atrativa. Secretamente, me auto confessava apaixonado por ela! Mas Alda tinha um amor. Um amor daqueles “de perdição”, controverso, combatido pela família, como era costume ocorrer no seio das famílias mais extremamente conservadoras daqueles tempos. Os furtivos encontros dos dois aconteciam sempre com o meu conhecimento e cobertura; Fui, pois, malgrado meu ciúme, minha dor de corninho, o poço sem fundo dos segredos do coração da Alda, até que a vida me conduzisse para outros horizontes.

Alda Quintas nunca foi vencida e viveu com Álvaro, seu grande amor, tal como sempre quis, por toda a vida, até que ontem, dia 19 de Janeiro, Álvaro partiu…

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Irrecuperáveis são as fotos contidas no CF, que aparentemente de bom grado aceitou a reformatação e voltou a funcionar como novo! Mas acordei com um pouco de dor de cabeça e desisti da intenção do terceiro dia de caminhada em que finalmente portaria a pesada Canon para imagens mais fotográficas.

Paira ainda uma réstia de receio aqui na familinha, depois que a senhora diarista testou positivo para Covid 19 após passar a última quinta feira trabalhando aqui em casa, com a presença de todos nós.

À medida em que se aproxima o dia da volta, as meninas falam em trancar as portas e treinam nós com cordinhas para nos amarrarem e impedirem nossa saída…

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Bariguí

Curitiba não amanheceu chuvitiva, o Sol brilha forte e ficou irresistível repetir a caminhada de ontem pelo parque do Bariguí. Minhas pernas, uma vez mais não fraquejaram em todo o trajeto. Só o cartão de memória CF de 32Gb na câmera manteve a falha e parece irrecuperável. Como não estou disposto a pagar a fortuna que pedem por um novo, dispensei a SLR e passei a usar o celular. Em Niteroi tenho um de 8Gb que cumprirá o pouco que atualmente necessito. Surpreendi-me como cresceu o “rebanho” de capivaras no parque! Há alguns anos eu caminhei muito e molhei os pés para chegar perto e fotografar uma pequenina família delas…

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Pintando o Sete

Acordei cedo demais e sentei o sábado na varanda acompanhado da Ibanez branquinha e afinadíssima, que escolhi dentre as várias beldades instrumentais da família Castro-Alonso. Dedilhando alguns acordes, ocorreu-me que hoje é o sétimo dia da semana. Daí, como não podia amplificar o pau elétrico para não perturbar o sábado, amplifiquei a importância do sete para a minha humilde pessoa. Estou no sétimo ano da sétima década após meu nascimento. Mas, fazendo as contas, foram oito as vezes que esteve o número sete presente nos meus aniversários. 7-17-27-37-47-57-67-77… OK, fine! Mas e daí? Quando do último aniversário, cheio de problemas reumatóides, temi que o numero 77 significasse um par de bengalas, prenúncio de cadeira de rodas. Afortunadamente não ocorreu e agora, próximo a completar setenta e oito, considerando que 7+8=15 novesfora, ficam 6, não 7, sinto-me mais confiante. E confiança, cada um toma a que quer…

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Boca Fechada

Os períodos de Natal/Ano Novo aqui na casinha da família de Curitiba, sempre foram de grande fartura sobre a mesa. Deliciosos pratos e doces tradicionais preparados pela chef Nina, bebidas habituais, excessos habituais. Este ano, todavia, fomos surpreendidos logo à chegada, pelo rigoroso regime alimentar vigente na casa, pressionados que foram pela iminência da perda da saúde na trilha da obesidade. Em consequência, tudo foi drasticamente controlado, conquanto fossem, com moderação, confecionados os tais quitutes tradicionais, salgados e doces, para que a quadra fosse marcada. Vinhos e licores? Considerando o que era, podemos dizer que viramos abstêmios! Pouquíssimo foi consumido na comemoração.

Meu habitual sobrepeso, agora discretíssimo, está muito perto de perder a identidade e chegando ao peso ideal. Que assim seja…

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