Agora eu era eu próprio, rei de mim, soberano absoluto. Como tal e com tal poder, não existia força que me impusesse invasivas e humilhantes obrigações. Como todo o meu poder era exercido sobre mim próprio, meu absoluto poder não tinha poder para que impusesse invasivas e humilhantes obrigações aos que não me rodeavam, porque eu era, afinal, sozinho em mim próprio, num mundo só meu, estranhamente meu!
Acordei. E acordei chocado, realizando que, obediente, tomei vacinas junto com todo o rebanho do planeta do qual sou e estou irremediavelmente prisioneiro. Sou, pois, um prisioneiro e submissivo terráqueo, receptivo a todo o tipo de invasivas e humilhantes obrigações. Levantei e tomei o caminho do banheiro, lugar solitário onde, absolutista e valente, descarreguei, com força e pela força, malcheirosas obrigações. O chuveiro acabou por devolver-me às minhas realidades de criatura biológica comum, idosa, vulgar e reacionária…
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