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Archive for Dezembro, 2021

31/12

Chove e troveja no trinta e um e acordo da sesta meio besta de estremunhado, desorientado e admirado por estar escuro como se fosse fim de tarde. Por enquanto não sinto nenhum efeito pelo fato de ser este o derradeiro dia do ano já quase passado. As vozes da Nina e da Vanessa chegam até mim enquanto conversam com a Mônica, trocando calmamente familiaridades e novidades. A distância que as separa parece não ter qualquer importância, mas fico a pensar que preferiria que estivéssemos todos juntos, sem ter entre nós vários milhares de quilômetros. Como nada posso fazer, junto-me, de mãos nos bolsos, como espectador, aos preparativos para as comemorações e bememorações da chegada do vinte e dois, ora pois…

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Reidemim

Agora eu era eu próprio, rei de mim, soberano absoluto. Como tal e com tal poder, não existia força que me impusesse invasivas e humilhantes obrigações. Como todo o meu poder era exercido sobre mim próprio, meu absoluto poder não tinha poder para que impusesse invasivas e humilhantes obrigações aos que não me rodeavam, porque eu era, afinal, sozinho em mim próprio, num mundo só meu, estranhamente meu!

Acordei. E acordei chocado, realizando que, obediente, tomei vacinas junto com todo o rebanho do planeta do qual sou e estou irremediavelmente prisioneiro. Sou, pois, um prisioneiro e submissivo terráqueo, receptivo a todo o tipo de invasivas e humilhantes obrigações. Levantei e tomei o caminho do banheiro, lugar solitário onde, absolutista e valente, descarreguei, com força e pela força, malcheirosas obrigações. O chuveiro acabou por devolver-me às minhas realidades de criatura biológica comum, idosa, vulgar e reacionária…

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A Orquídea é linda! E, além de linda, ela é muda testemunha da vida que em seu torno se anima de gentes muito ausentes agora presentes que se juntam aos de casa, às folias das crianças, aos sons dos instrumentos e de vozes que dialogam, que cantam, que exprimem graça evitando falar na desgraça que por aí grassa. As luzes, feéricas e brilhantes, esparramam claridades multicoloridas que se refletem em lampejos nos tantos adereços suspensos da vistosa árvore de Natal. Porque é Natal e nós estamos, uma vez mais e ainda, presentes, respirando e nos regozijando.

A todos os Amigos e Família, nossos votos para que tenham um extraordinariamente Feliz Natal!

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A minha velha Canon 50D e a objetiva Sigma 18-200, companheiras de tantas jornadas, deixaram de se entender e mal conversam uma com a outra. Como não disponho aqui de outro equipamento, vai certamente ser difícil conseguir algumas fotos decentes no Natal e ano novo deste ano. De nada adiantou limpar e polir os contatos; a cada disparo bem-sucedido, há três ou quatro que alarmam erro. Acho que o celular vai ter de quebrar o galho nas fotos de família, porque ninguém estará disposto a congelar a pose em múltiplas tentativas…

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Das megeras

Em algum momento, recordo aqui haver escrito afirmando que: “Apesar de Shakespeare, megeras não são domáveis”. O tempo passou, experiências foram adicionadas, levando-me agora a reafirmar a indomabilidade das megeras e a evidência do perigo de elas gerarem megeras tão indomáveis quanto. Ou não…

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Matemática

“Matematicamente falando, levo a vida me multiplicando, mas também sei dividir…” Seguindo a cadência de um cavaquinho, a menina vai cantando seu “Samba da Matemática” num filminho de celular. E canta com graça e segurança, enquanto, “saindo pela tangente, por razões e equações, vai procurando as soluções pros problemas existentes…”

Não é extraordinário encontrar tais peças bem populares, despretensiosas, mas cheias de inspiração e beleza poética?!

Adorei e, como adorei, repeti o vídeo vezes sem conta, resultando em afastar-me de taciturnos pensamentos e alegrar meu coração. Resolvi até voltar a escrever!…

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Olhos verdes

Na noite de ontem, derradeiro dia de novembro, deu-me para folhear minhas caóticas notas e, randomicamente, ler em voz alta para a Nina, muitos dos poeminhas a ela dedicados ao longo do tempo. Seus olhos, únicos, que para mim só dois existem, são tema de boa parte de rimas como esta:

Verdes olhos, minha paixão!…

Eles me fascinam, ofuscam,

Enfeitiçam, enquanto buscam

dominar-me o coração…

Olhos verdes que fulminam,

me perturbam, desatinam,

chacoalham todo o meu ser!

Fugir deles? Nem pensar!

Como poderia eu ficar

sem vê-los ao acordar,

sem a eles me submeter?…

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