
Nos meus tempos de kandengue, quando na impressão e encadernação de um livro ainda usavam técnicas de Guttenberg, se eu adquiria um novo livro, preocupava-me em separar todas as folhas com uma faquinha, para que fosse possível ler todo o volume, ou, caso não o lesse, não ficar envergonhado se a obra caísse na mão de alguém a quem havia afirmado a pés juntos tê-lo lido, sim senhor!
Cheguei a casa com a Antologia da Poesia Angolana intitulada “Entre a Lua, o Caos e o silêncio: a Flor” e comecei imediatamente a folheá-la, no que fui forçado a separar muitas das folhas levemente coladas umas às outras pela tinta avermelhada aplicada na periferia. Enquanto as soltava, soltava recordações, boas e más, da já longínqua juventude.
Na primeira e rápida folheada, já fiquei com a satisfação de considerar bem aplicados cada um dos apenas 20 euros pagos pela obra. Boa informação sobre as formas de Oratura, ou Arte verbal, sobre os idiomas nacionais angolanos e, muita, extensíssima e rica poesia cantando a terra e suas gentes por autores que remontam aos séculos XVII e XIX, até aos nossos dias, ao longo de 679 páginas!
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