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Archive for Agosto, 2021

Ser Livre

A “Liberdade” continua a ser um papel velho deteriorado pelo tempo e pelos tempos, como aliás me lembro haver sido ao longo da minha linha de vida de setenta e sete anos. Quando julgamos gozar de liberdade, não tardamos a concluir de que se trata, afinal e tão somente, de uma liberdade ilusória, relativa, precariamente concedida pelos detentores do poder, a quem concedemos poderes para, coercivamente, na porrada, reprimir nossos anseios de autodeterminação, livre arbítrio…

Um dia eu escrevi, questionando como seria ser livre:

“Sei que querer é poder, ou pelo menos assim sempre me disseram. Então, eu quero ser livre porque eu decidi ser livre, logo, eu sou livre e pronto, dou alegremente um viva à minha liberdade! Mas, aos poucos, fui-me apercebendo que estava percebendo uma realidade assim meio que encarcerada. E que eu estava e estou do lado de dentro desse encarceramento, posto que é o lado em que cada adulto se olha interrogativamente como se perguntando onde é a porta de saída. Não, o meu querer não tem todo esse poder que o meu parco poder parecia querer.

À liberdade, à liberdade!

Brado eu, voz livre e forte!

Mas, oh triste verdade…

Livre, livre, só mesmo na morte…”

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Fobias

Amanheci meu sábado sem sinais de que o aparente resfriado tenha descido das vias nasais para a garganta. Acredito, portanto, tratar-se da minha velha alergia, de volta após desaparecer graças às fortes doses de anti-inflamatórios ingeridos por conta dos meus problemas de artrose. Dormi em cama e quarto separado da minha companheirinha, por receio de lhe passar o tal aparente resfriado. Mas a falta dela na cama, mais a cama estranha, mais o colchão de molas que me pareceu uma tarimba, juntaram-se aos habituais elementos incomodativos para uma noite mal dormida. Abandonei a cama pouco depois das 06:00, para, no escritório, confirmar que estou vivendo uma fobia aos meios eletrônicos de que disponho: Computadores, I pads, smart phones. Se os ligo, sinto-me compelido a “uma vista de olhos”, mesmo que rápida, por sítios que são hoje campos de batalha pejados de minas explosivas e de nauseabundas fossas de merda…

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É implacável, o tempo. Os dias vão-se escoando pelos drenos da vida, o corpo perde paulatinamente suas resistências, a mente as capacidades. As coisas do mundo deixam de interessar, as complexas ligações eletroquímicas da pensatrix com os órgãos vão-se corrompendo, interrompendo. Mas porquê tão longo sofrimento? A sério: O nosso corpo deveria vir equipado com uma chave geral que nos permitisse autodesligar-nos, no caso da irreversibilidade de uma doença do tipo da Parkinson…

Rest in peace, Mário!

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Meditação

Passo a passo, medito, enquanto progrido em direção ao que a imaginação me disponibiliza para essa meditação: Às vezes tudo é de um azul lindo! E eu respiro livre, soltos e levíssimos são os desgastados membros que me carregam! Dir-se-ia que flutuo nesse azul profundo. Em seguida, porém, caio na real e meu casulo é infernizado por tumultuosas e insuportáveis sublevações de mim, em desordem contra a ordem da irresistível tirania que a todos parece arrastar e tolher no planeta. Governantes tão poderosos quanto imbecis, desmontam os baluartes da liberdade, abrindo-os de par-em-par ao retorno das mais sanguinárias bestas das trevas…

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Apresso-me a apagar o que vou lendo

porque nada do que li eu entendo

ou entendo que não devo entender…

Rótulos sibilam por todo o espaço,

valores são atacados a cada passo,

ficou tão complicado viver…

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O tempo continua bom, mas a familinha foi embora como era mandatório que fosse. E isso nos deixou um pouco tristonhos porque o espaço perdeu a face de caos estabelecido pelas duas maravilhosas pestinhas. Netinhas lindas hiperativas não mais e só restou por aqui um baita silêncio que, pelo menos por enquanto, é pesado e assaz barulhento. Mas vamos rapidamente reassumindo nossa solidão a dois, a braços com os nossos pequenos sofreres que tão sofridos achamos até que nos chocamos com gente enfrentando muito mais pungentes e agudos sofreres em verdadeiros infernos astrais. Somos, afinal, escandalosamente felizes…

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