
Muqueca de arraia com pirão de milho, bem picante, híper apaladada, de fazer inveja a qualquer cozinheira baiana, foi o almoço preparado e servido pela Nina quando cheguei de volta a casa, cansado das muitas braçadas na excelente piscina municipal de Palmela. Não terá sido a melhor resposta às minhas queixas de completa falta de preparação física para enfrentar a natação que, espero, me ajude a consertar meus ossos, mas foi uma festa para a gula…
Procuro viver, pois, porque o cavaleiro da foice está ativo como nunca e ontem mesmo, teve o atrevimento de ripar R.J., meu patrão por várias dezenas de anos. E ele era um fulano de incalculável capacidade empreendedora, workaholic incurável, meu companheiro de algumas aventuras muito doidas em estranhas e perigosas estruturas de extrair energia nos mares. Por alguns momentos passa-me pela mente a admiração e, convenhamos, a inveja positiva que eu nutria pela largueza da sua visão numa atividade de custos e resultados multimilionários, mas pejado de riscos tão gigantescos, que se me afiguravam como pura loucura na minha ótica de simples “Oilman”…
Mas o mundo do poderoso R.J., admirável empregador massivo, ruiu e viu-se arrastado pelos tenebrosos efeitos da estagnação pós lava-jato, seguindo-se a desastrosa queda dos preços do petróleo quando os modernos e ultradispendiosos equipamentos começavam a pagar-se em outros campos do mundo. A sobrevivência da indústria está mundialmente na corda-bamba e a figura do “Oilman” desaparecendo em todos os níveis…
RIP, R.J.!
Nelsinho: está de volta a Portugal, novamente?
Sim, meu prezado, estou em Setúbal…
Ah, que delícia. Aproveite bem. Se Deus quiser, nos encontraremos aí, após a pandemia.
Seria um encontro memorável, sem dúvida!