Já tive melhores momentos na minha vida, mas reconheço que estar com vida e alguma esperança já é coisada positiva, afinal. Comprei uma impressora nova, com forte cheiro a nova, para minha alegria – porque as minhas duas narinas reconheceram cada odor. A minha velha HP com uma dúzia de anos deu o que tinha pra dar e pronto. Dir-se-á: Mas impressora não é necessária – ela consome árvores, etceterá, etceterá. Mas fiquei feliz com a minha comedora de árvores que também digitaliza e não carece de um cabo ligado ao PC, porque é inalambrica como dicen los hermanos.
Dia destes, no espaço FB da Laura Rónai, ela compartilha uma matéria de Luiz Ribeiro, que não conheço, mas de cujos textos Laura se declara admiradora, o que é recomendação mais que respeitada, porque ela não é “só” grande musicista e flautista de dotes virtuosos. Quando se dispõe, ela escreve muuuuito! Então o Luiz Ribeiro, lendo “A Cidade Sitiada” de Clarice Lispector foi tão impactado pela frase “ Sem ser pai, já não era filho” pinçado dos pensamentos de Perseu dentro do trem que partia, que a tomou como mote para escrever sua coluna. Já eu, velho filho, pai e avô, só consegui ser impactado pelos dois cálices de Porto que o personagem ingeriu. Tenho no Kindle e li A Cidade Sitiada há já algum tempo – mais que suficiente para esquecer o que eventualmente foi memorizado pelo par de neurônios que me restam. Vou ser franco: A obra não me tomou pela alma e agora, vejam só, tenho a petulância de achar-me um pouco mais em condições de entendê-la. Ou talvez não, veremos…
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