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Archive for Dezembro, 2020

Ano vai, ano vem, como convém,

tenta-se adivinhar o que por aí vem

e que sorte a sorte nos reservará;

Em vão as cartas poderemos jogar,

se em cartomantes formos de acreditar…

Mas o porvir na escuridão permanecerá.

Brindemos, pois, à vida, em vida,

posto que depois dela, a única certeza tida,

é que tudo com a terra se mesclará…

M´bora lá! Feliz 2021!

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Desdolorido!

Hoje, penúltimo dia do conturbadíssimo ano de desgraça de vintevinte, despertei contente, se se me consente que contente desperte. É que as permanentes e malfadadas dores que venho há semanas padecendo ao longo da perna esquerda (sempre a esquerda), foram-se nada milagrosamente embora, após injeção intravenosa e mais uma droga oral em adição, de inevitáveis anti inflamatórios. A prescrição, feita por um ortopedista que me garantiu e comprovou pelo raio do xis que o meu mal é desgaste nas articulações, artrite reumatóide e outros nomes feios. Minha capacidade de resistir à dor, fiquei ciente, tem mesmo limite.

A minha maisquetudo está neste momento preparando para a virada, um repeteco de gostosuras tais como rabanadas, aletria, mosaico de gelatina dentre outras já experimentadas na consoada, mas que no meu caso, foram de apreciação assaz depreciada pelas suprareferidas dores que tanto me abalaram naquela noite.

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Passado

Do Natal ainda os ecos soam forte, as crianças mal se familiarizaram com os novos brinquedos e os remanescentes dos típicos cozinhados e doçuras acabaram de acabar, deglutidos como convém, porque, como nos foi ensinado, nada que alimente deve ser lançado ao lixo. Descartados, só os retalhos já passados e bolorentos de diversas tentativas frustradas de gerar algum texto durante a quadra festiva, que agora releio enfastiado pela falta de substância e outras fortes razões de não publicação. Acordei de uma curta sesta que eterna me pareceu e, ao encetar uns passos, tive a surpresa de sentir como que diminuídas as dores ao longo da minha perna esquerda, que há já alguns dias persistem, infernizando-me dia e noite. “Vai ver que foi milagre pós Natal”, pensei por breves momentos, até cair na realidade de que ela, a malvada, lá continua me martirizando. Aparentemente é trabalho para ortopedista, mas certeza eu não tenho. O Natal é, pois, evento passado e contamos os dias que faltam para o virar de mais um ano…

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Natividade

Pingentes reluzentes, iluminação, estilizadas estrelinhas num pinheiro de mentirinha. É um bonito enfeite que faz toda a diferença para lembrar e comemorar a quadra. Em criança não tive um pinheirinho enfeitado, mas não acho que sua falta tenha influído de alguma forma no meu carácter. Fui uma criança feliz sem árvore e recordo que no meu círculo se dava mais importância à montagem de um presépio simples com figurinhas de barro, para cultuar a tradição. O sapatinho sobre o fogão, poderia receber um quase-tosco carrinho de madeira, que teria o condão de fazer meus olhinhos brilharem de felicidade e agradecimento. Naqueles tempos de sobrevivência difícil, o pouco podia ser imenso…

Feliz Natal para todos!

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Droga!

Nesta segunda, em plena semana do Natal, atravesso a rua em direção a uma farmácia. Simples reposição de medicamentos de uso contínuo, nada de mais. Este “nada de mais” no meu pensamento disfarça, não só a preocupação do perigo que nos ronda em relação à ameaça viral, mas também em relação ao crescente valor dos fármacos que preciso tomar para sobreviver às mazelas da idade. Anticoagulante, antihiperplasia, antihipertensão e não poucos outros anti mais, drenam o magro salário de aposentadoria. Quando atravessei de volta, carregando uma sacola contendo drogas no valor de R$ 755,00, gemi baixinho enquanto recitava as mesmas palavras de autocorforto: “Pelo menos estou vivo; Pelo menos eu tive os 755 para pagar; Pelo menos cheguei a esta idade – o meu pai não teve esssa sorte…” Polianei em voz baixa todo o meu caminho até à porta da casa da minha filha. Como de hábito, vou lamentar o gasto por alguns dias até esquecer, até atravessar para outra farmácia daqui por um mês e surpreender-me porque não serão mais 755…

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Feliz Natal

Há um ano atrás, mais ou menos por esta data, eu lembrava que aquele seria o último Natal da década e que em alguns dias, quem vivesse veria, entraríamos na década de 20 deste século. De alguma forma, eu sentia uma espécie de receio. Os anos 20 do século passado foram de um pós guerra de acontecimentos terríveis de conflito político, morte, miséria e pestes. “Eu”, escrevi, “enquanto veterano de mui duras provações de sobrevivência, aspiro a, simplesmente, continuar sobrevivendo!”. Este foi meu desejo pessoal para 2020, que afinal trouxe consigo uma peste tão terrível quanto a de há cem anos, que acabou transformando o planeta numa amálgama de consequências inimagináveis.

Estas últimas semanas foram de perda de grandes companheiros, de alguns familiares e outros muito ligados à familia, sendo que alguns deles para o maldito andaço. A sobrevivência com saúde é, pois, o que de melhor podemos desejar aos nossos queridos familiares e amigos para este Natal e para o ano que entra. Esqueçamos então os habituais votos de prosperidades e fortunas porque, sem vida, de nada valerá a riqueza material…

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Valeu, Willie!

Mists

Willie Littlejohn deixou-nos, depois de resistir bravamente ao câncer que o devorava. Sobreviverá comigo a recordação de um chefe e amigo, que foi um dos mais fortes, resilientes e engraçados personagens da minha ópera de vida. O enorme escocês que durante décadas fez parte do meu fado de oilman, lograva ser respeitosamente obedecido e até temido, criando em torno de si um alegre ambiente enquanto enfatizava o valor do conhecimento, disciplina e da responsabilidade, em meio ao drama real de uma perigosa atividade de baixa tolerância a erros. Descanse em paz, amigão!

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Eu, próprio eu, aqui me tenho;

A mim próprio me apresento,

sem as forças pessoais de antanho,

mas, enfim, o meu melhor eu tento

com o que me resta de alento…

Eu, próprio eu, aqui me tens;

A ti me apresento como estou,

sem a figura que na memória reténs,

mas com o que da vida me sobrou

e o mesmo amor que por ti transbordou…

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Clarice,100 anos

Conquanto admirasse Clarice Lispector, a verdade é que pouquíssimo sabia sobre sua vida até que, corria o ano de 2014, recebi em casa um inesperado presente de ouro: Um exemplar do livro biográfico “Clarice,” (Clarice vírgula, saliente-se!), do excelente Benjamin Moser. O inestimável presente foi-me enviado por Maria Elisa Guimarães, a “Meg” do Blog “Subrosa” (Flabesgasted), espaço dos mais admirados e bem frequentados nos áureos tempos blogueiros. Seis anos decorridos e havendo lido a obra da autora que completa amanhã 100 anos, continuo nela vidrado, ainda que falhando na tentativa de decifrá-la. Afinal, segundo Clarice, a própria esfinge não conseguiu decifrá-la…

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Metralha

Muita gente lembraria o rápido cacarejar da mortífera MG 42 na sua terrífica cadência de 1200 projéteis de 7,62mm por minuto. Porquê lembrar de uma velha mas eficientíssima metralhadora de guerra? É que a bandidagem dos morros aqui à volta, interrompeu há pouquinho um duelo para armas automáticas, das quais sobressaía uma com uma cadência tal, que deixaria a temida MG 42 ruborizada! Foi o show de boas vindas a quem chegou esta manhã de volta à Cidade Maravilhosa…

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