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Archive for Outubro, 2020

Querido Diário

Mantenho um diário há quase três dezenas de anos. Primeiro era exclusivamente para o trabalho, em algum momento passou a ser uma mistura de trabalho com coisas mais pessoais, até que o trabalho ficou lá para trás, no túnel do tempo e nele passei a descrever os dias dos meus dias. Por vezes esqueço e pulo alguns, para depois me obrigar a rever mentalmente o que fizemos, falámos, silenciámos, sofremos, gozamos. O de hoje trata do provável castigo que recebi por haver tomado acima do prescrito, de uma das várias drogas que me mantêm vivo. Na caminhada matinal, o esforço não usual, a respiração difícil, o cansaço, a penosa e assustadora volta para casa. Controle cardíaco com os instrumentos caseiros: Tranquilos 130X78 mmHg, mas o pulso em 42bpm! Hipotermia 34.6ºC! “Voar para o hospital? Mas eu só quero mesmo ficar aqui deitadinho!”. Irredutivelmente, para o hospital não fui e depois até fiz uma boa refeição. Marquei consulta com um cardiologista, mas só para segunda feira. O que vai ser de mim até lá? Eu não sei ler o futuro. Mas prometo ir pro hospital se me sentir daquele jeito…

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Caminhada

Decorre a nossa caminhada em direção à 6ª década, mais juntos que nunca. O mito de que a longevidade do nosso casamento repousaria nas minhas longas ausências no meio do mar, não passava de mito mesmo. Três anos de aposentadoria efetiva, propiciaram-nos ininterrupta companhia. Não obstante as discordâncias sobre um tema ou outro, os escancarados ou mal escondidos defeitos intrínsecos ou próprios da idade, apesar da minha tendência à introversão e a híper dramatizar as dificuldades, eis-nos completando um ano mais. Sou imensamente grato por me aturares. Eu te amo, companheirinha!

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Torturas

Dei em prestar atenção à conversa de duas mulheres, que contavam suas dolorosas experiências ao se submeterem às rotineiras mamografias. Detalhavam a sessão de tortura por que passam, toda a vez que são obrigadas a deixar que suas maminhas sejam violentamente comprimidas, esmagadas, espalmadas. Acabei por sentir estranho mal-estar no meu baixo-ventre e arrepios pela coluna vertebral: Acho que fui tomado, no meu imaginário, pelo terror que seria se os meus dois tão-sensíveis berloques fossem espalmados daquele jeito…

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Covi-dados

Dei-me de novo ao trabalho de verificar os números desse gráfico atualizado, onde:Países                  Habitantes (M)            Óbitos/M

Portugal                     10.3                         218.6

Espanha                    47.0                         735.0

Itália                           60.3                         609.2

França                       67.0                         521.6

Alemanha                  83.0                         118.2

Bélgica                       11.5                         905.38

TOTAIS                    279,1                      3,107.9

Brasil                        210.0                         731.1

Imaginei então que essa seria uma europa – país em que seus 6 membros seriam estados como os brasileiros; Cada estado tem sua contagem cuja soma dá os tais 731.1 óbitos por milhão. Se pudéssemos fazer uma conta de resultados lineares, considerando o número maior de habitantes dos países europeus incluídos, o Brasil estaria contando 971.2 óbitos por milhão de habitantes, onde o somatório da europa é de 3.107.9 por milhão do somatório geral dos seus habitantes. Vai ver que estou sendo simplório…

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Tempos difíceis são estes tempos em que o tempo que me resta se escoa pelas malhas da focinheira, sem proveitos palpáveis que não o proveito de seguir com vida. Medito em como está incerto o futuro, enquanto vou caminhando e reinspirando boa parte do dióxido de carbono que rejeito a cada ciclo da respiração. Depois, caio na crua realidade dos meus setentaeseis e do quão minguado é meu futuro. Pondero que deveria ser muito pior no ano em que nasci, quando e onde não fazia qualquer sentido um discorrer sobre futuro, abafado que seria pelo fragor das bombas destinadas a descontinuar o futuro do futuro…

Filtrando todos os devaneios: Haverá futuro suficiente para voar no Natal deste ano?

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10102020

Estava eu, por falta de melhores ideias, emerso em tentativas para encontrar forma de transformar esta data em outro arrazoado, numérico desta vez, quando a Megan Kenerson de Houston me chamou: “Randy Shaffner passed away”! O falecimento de pessoa tão ligada à minha história de homem do petróleo ao longo de décadas é, sim, impactante. A notícia chocou-me e sugou-me instantaneamente qualquer réstia criativa. Rest In Peace, Randy!

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Porralouquices

XYZ podem ler-se exray.yankee.zulu sem deixarem de ser xis.ypsilon.zê. De qualquer das formas sempre serão aquilo que são: As últimas letras do alfabeto. Mas o status de cauda em nada as desvaloriza e não significa que ABC, que podem ler-se alfa.bravo.charlie sem deixarem de ser a.bê.cê e posicionadas à cabeça, possam de alguma forma adquirir maior importância e sobre a cauda atribuir-se alguma supremacia. Este é um arrazoado de louco? Pode até muito bem ser, mas eu sou um louco são, nada dado a violências ou a soltar ferocidades políticas sobre ninguém. Eu sei e reconheço que poderá aparecer quem diga que o meu exrayyankeezulualfabravocharlie é um código secreto ligado a algum tipo de conspiração, de esquerda ou de direita dependendo de quem leia. E eu espero que leiam senão, porque cargas d´água haveria eu de escrever tão insana postagem?!…

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Ao Sol insisto-me nas reverências. Incluindo as fotográficas, porque o Astro jamais repete as poses, ainda que repetitivas nos pareçam. Em contraluz, eis muito claramente recortadas as linhas do horizonte que deste ponto alcanço. Nele está contido tudo o que espero no novo dia que tenho o privilégio de viver. Projetei e espero o melhor, mas sei que terei de aceitar resignado o que me for destinado…   

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Décima

Porque hoje está tão azul o céu,

até pra mim ficou fácil sorrir!

Passo o dia de short, pernas ao léu,

ainda que o outono já se faça sentir

e noite adentro precise me cobrir…

…embora te tenha a ti, meu amor!

No leito a mim chegado, enlaçado,

teu corpo é sublime fonte de calor!

Ai!, como por ti sigo enrabichado,

mais de meio século por nós passado!…

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