Dia destes, alguém do meu círculo desdenhou do “samba de uma nota só” como “coisa” sem qualquer valor para quem tanto cultua o purismo erudito da música barroca. Sendo eu próprio também um apaixonado pela música antiga, não hesitei, todavia, a sair em defesa de uma peça de tão simplória base melódica. Referindo-me a “Amadeus”, argumentei, falando da simplíssima pecinha que Salieri escreveu para o imperador praticar sua performance e o efeito transformador dos geniais improvisos de Mozart sobre o tema.
É vero que, virtualmente, qualquer tema musical pode ser vertido para um pote e resultar em maravilha jazzística, tudo dependendo do génio do druida. O “Samba de uma nota só” pode até soar como uma enfiada linear de notas repetidas ad nauseam, mas que ganham todo o sentido uma vez engrenadas à metalinguagem do texto. Na sequência, tudo muda a partir do momento em que a genialidade instrumental a transforma num rítmico e sempre mutante Poema Harmônico!…
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