Sabadei cedo da manhã, sentado à escrivaninha fazendo que escrevo, fazendo que leio enquanto leio um manuscrito que, em abertura aleatória, me surgiu ante os olhos: Em “Feminina”, Mário de Sá-Carneiro diz que queria ser mulher e porque tal queria, em quadras rimadas. Depois de ler, fiquei com a impressão de que o Sá-Carneiro, se mulher fosse, seria uma puta de grandes dotes literários…
Atrás de mim, sentada no sofàzinho do escritório, a minha mais-que-tudo está embebida nos ins and outs internéticos com seu Ipad, que chama carinhosamente de “bichinho”. Ela nem imagina que seu homem há cinco décadas e meia, está avaliando a probabilidade de que poderia ter resultado uma mui respeitosa e filosófica puta, caso houvesse nascido mulher.
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