Nada aprendi, afinal, com os erros cometidos e sofridos, a julgar pelos erros que insisto em cometer no outono da vida. De nada vale afirmar com convicção que não repetirei, porque é considerável o risco de que, em algum momento, o afirmado desrespeitarei. Concluo ser o errar tão imortal quanto a própria morte…
Archive for Setembro, 2020
Imortalidades
Posted in Uncategorized on 30/09/2020| 2 Comments »
Papo musical
Posted in Uncategorized on 28/09/2020| Leave a Comment »
Dia destes, alguém do meu círculo desdenhou do “samba de uma nota só” como “coisa” sem qualquer valor para quem tanto cultua o purismo erudito da música barroca. Sendo eu próprio também um apaixonado pela música antiga, não hesitei, todavia, a sair em defesa de uma peça de tão simplória base melódica. Referindo-me a “Amadeus”, argumentei, falando da simplíssima pecinha que Salieri escreveu para o imperador praticar sua performance e o efeito transformador dos geniais improvisos de Mozart sobre o tema.
É vero que, virtualmente, qualquer tema musical pode ser vertido para um pote e resultar em maravilha jazzística, tudo dependendo do génio do druida. O “Samba de uma nota só” pode até soar como uma enfiada linear de notas repetidas ad nauseam, mas que ganham todo o sentido uma vez engrenadas à metalinguagem do texto. Na sequência, tudo muda a partir do momento em que a genialidade instrumental a transforma num rítmico e sempre mutante Poema Harmônico!…
Maudormir
Posted in Uncategorized on 27/09/2020| 2 Comments »
Ah as cãibras, as cãibras, que mau dormir me provocam! É o despertar com dores insuportáveis, é a insuportável dificuldade para voltar a mal adormecer para em seguida ter nova crise, novo passear no escuro, a pisar gemidos surdos…Depois já é de manhã de amanhã. Será do vinho que bebi? Mas só duas tacinhas ingeri! Do caldo verde é que não foi, certamente. Foi talvez do doce pavê, mas conjeturar praquê? Não vou mesmo saber porquê…
Hoje…
Posted in Uncategorized on 26/09/2020| Leave a Comment »

Proso-me embrulhado em poesia, posto que este belo dia foi-nos dado pra viver. De noite uivava o vento, que soava qual lamento de presságios de temer. Credito o temor ao cansaço, porque estava um bagaço quando cedo me deitei. Mas eis que novo dia pintou, o humor logo melhorou, porque, afinal, vivo acordei!
Cansado, na cama desabei
e já na cama te encontrei
tão cansada quanto eu…
Olhamo-nos enternecidos
mas estávamos tão rendidos
que o sono logo nos venceu…
Outroacordar
Posted in Uncategorized on 25/09/2020| Leave a Comment »

Acordei disposto a sextafeirar uma semana atípica, resultante de atipicidades e loucuras outras. O Sol está lá, surgindo mais um pouco à direita das minhas referências. Reflito que daqui a uma semana deixarei, deste meu posto de observação, de assistir e fotografar o nascimento do Rei. Os dias sucedem-se, planos e metas também, apesar de aparentemente descabidos e questionáveis…
Manhã
Posted in Uncategorized on 20/09/2020| Leave a Comment »

Mais uma manhã, tão bonita manhã! A poderosa fonte da vida se alevanta e exibe sua palete de cores em policromáticas promessas de que, ainda em mais um dia, poderei fingir ser alguém.
E agora eu era alguém…
que a vida enfrenta sem temor,
que a vida goza sem sentir dor
que minimiza o mal que a vida tem
Agora eu era alguém…
com imunidade a vírus e andaços,
a pestes políticas tolhendo passos,
que ironiza a maldade que a vida tem
E agora eu também era alguém…
Que a cada sístole do coração,
realiza que a vida não é em vão,
malgrado as maldades que contém!
Doçuras
Posted in Uncategorized on 19/09/2020| Leave a Comment »

Vindimas são violentas empreitadas para quem a elas não está habituado. Dores musculares e de coluna ficaram por alguns dias após a colheita das docíssimas uvas que já terão sido transformadas no que resultará em docíssimo e espirituoso moscatel de Setúbal. A abelhinha da foto aproveitou os últimos momentos da doçura in natura. A colheita já aconteceu há quase duas semanas, mas a vontade de escrever só agora pintou…
Respeitosas putas
Posted in Uncategorized on 12/09/2020| Leave a Comment »
Sabadei cedo da manhã, sentado à escrivaninha fazendo que escrevo, fazendo que leio enquanto leio um manuscrito que, em abertura aleatória, me surgiu ante os olhos: Em “Feminina”, Mário de Sá-Carneiro diz que queria ser mulher e porque tal queria, em quadras rimadas. Depois de ler, fiquei com a impressão de que o Sá-Carneiro, se mulher fosse, seria uma puta de grandes dotes literários…
Atrás de mim, sentada no sofàzinho do escritório, a minha mais-que-tudo está embebida nos ins and outs internéticos com seu Ipad, que chama carinhosamente de “bichinho”. Ela nem imagina que seu homem há cinco décadas e meia, está avaliando a probabilidade de que poderia ter resultado uma mui respeitosa e filosófica puta, caso houvesse nascido mulher.
Da Feira
Posted in Uncategorized on 07/09/2020| Leave a Comment »

Feiras de Livros são irresistíveis, não importa em que coordenadas geográficas. Feiras de Livros com extensão igual ou acima da de Lisboa, requerem também tempo e muita disposição para dedicar um mínimo de atenção a tantos stands com tal variedade em literatura. Especialmente com tanto calor, ainda que ao fim da tarde! Cansativo, porém delicioso…
Serena é a Lua
Posted in Uncategorized on 04/09/2020| Leave a Comment »
