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Archive for Julho, 2020

Como está fácil perder a compostura

e como está difícil encontrar a ternura…

É muito mais fácil perder as estribeiras,

que conter-se e manter boas maneiras…

Estão de volta os tempos de opressão,

da censura, da patrulha e da inquisição;

Esboroa-se o horror racista de antanho, (mas)

eis, às avessas, o neo racismo não menos tirano!

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Minimal

Sunrise4

Look at the colors of the Sun!

They’re mostly red and orange!

Isn’t the Sun so intimidating, son?

I feel so minimal and strange…

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Bolo

…e pronto! A bagunça foi arrumada, a crise passou, vieram os tios com presentes, veio o leão acompanhado de outros bichos. Houve bolo bonito e gostoso, sopração de velinha e parabéns ao vivo overseas via internet! Viva Isadora!

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cc

O que este dia tem de especial, é que a minha neta Isadora completa mais um aniversário. Completa-o em companhia de sua irmãzinha Clarice e de seus pais Vanessa e Alison, ainda encerrada, encerrados, em longo lock down dentro dos limites de um apartamento. O dia de ontem foi véspera do de hoje. Dia de preparações que as irmãs muito bem usaram enquanto seus pais se desgastavam em horas de tumultuadas reuniões profissionais on line, fazendo possíveis e impossíveis malabarismos para manterem seus empregos e prestígio. As meninas juntaram todos os shampoos e cremes e, diligentemente os espremeram sobre sofás e móveis. Continuaram o serviço de desinfeção e limpeza, trazendo água em quantidade que consideraram suficiente e passaram a enxaguar todas as superfícies duras e moles que haviam selecionado para tal função. Um dos pais, não sei qual deles, teve finalmente a chance de uma pausa no trabalho e veio investigar a razão do estranho silêncio das manas: A bagunça e o estrago eram absolutamente indescritíveis!…

Nesta manhã de aniversário, as irmãs encontraram os outrora cômodos sofás arrastados para a varanda, todas as louças sobrantes retiradas do móvel – digo sobrantes, porque durante a função de remoção uma prateleira desabou destruindo em cacos uma boa parte delas; As duas pestinhas, arrasadas pelo C-19, arrasaram o apartamento!…

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Penas

wrecksss (2)

Confesso-me num daqueles períodos em que da pena só penas me saem. Seria talvez um bom momento para aquele tipo de poesia-sofrência de rasgar o coração na canção. Contudo, minha decisão tem sido a opção do silêncio, até que a alma mais se alegre, eventualmente.

Se estou triste, é porque estou triste,

e triste julgo saber porque estou;

Julgo ser por esse mundo tão triste,

que essa desgraçada peste nos legou.

Nesse mundo em retrocesso

sobreviver ficou tão penoso…

Os valores viraram do avesso:

O mal é bom, o bem perverso,

sobreviver pode ser bem doloroso!

No entanto…

 

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Uno

Risingsun (2)

Sinto-me cansado. De tudo e de nada, porque o nada e o tudo confundem-se pornograficamente, como corpos nus numa imensa orgia. Nada faz muito sentido nas extravagâncias servidas ou sugeridas como remédios para as pestes – as várias pestes que me ameaçam a sobrevivência física e mental. Reconheço-me, todavia, coeso em mim. Quero dizer: Meus “Eus” parecem, no momento, permanecer unos em estado de defesa…

Por enquanto ainda sou eu

quem em mim por aí encontro;

pedaços de mim são tão eu,

malgrado um ou outro desencontro…

 

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Fragilidade

Frágil! Sinto-me frágil como fazia tempo não me sentia! Ennio Morricone morreu!…Mas como?! Morricone era, no meu conceito, indestrutível! Se ele se finou, sem que de nada valesse sua imeeeeeensa capacidade de músico, sua genialidade, sua gigantesca alma criadora de emoção!…

Finaram-se-me as palavras…

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