Para um hipotético livro que jamais verá da impressão os tipos, escrevi há anos o seguinte texto:
“…aqueles eram tempos de regime instalado por processo indireto, fechado, aferrolhado, mutretado em partido único, de legitimidade autocrática…” E continuava: “Hoje em dia os tempos mudaram, os regimes que se foram instalando assim o foram por processo direto em sufrágio livre, universal, de lisura democrática, mas logo em seguida fechados, aferrolhados, mutretados em coligações de siglas várias, no sentido de monopolizar o poder decisório, ou seja, fundidos em partidos únicos e plenipotenciários de legitimidade cleptocrática…”
Em suma: quem ganha não leva; Os coligados vencidos governam a seu bel prazer e os ganhadores submetem-se ou resignam. Modernamente, criação da fauna política da minha mui amada pátria lusa, tal tipo de “desgracia” é apelidada de “A Geringonça”. Parece que o modelo foi exportado…
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