A noite passada foi muito chuvosa e o vento forte uivou pelas frinchas da deficiente vedação das janelas. Igual às noites de invernia da minha infância. Aos uivos do vento, juntavam-se os lúgubres uivos das sereias nos molhes quebra-mar fustigados por titânicos vagalhões capazes de reduzir rapidamente a pedaços o mais forte dos cascos. Também lembrei do uivar dos lobos entre os pinheirais cheios de neve e de outros uivares que não sei explicar de onde vinham. Vai ver que eu próprio terei uivado durante o sono, mas duvido, porque o sono dela é muito leve, muito leve; Ela me teria acertado uma joelhada, se eu ousasse uivar. Também lembro de um período em que dei em uivar se um orgasmo era mais extremado, coisa inapropriada e assaz perturbadora do clima, ainda que no climax.
Não sei mais o que falar sobre os uivos, que foi o tema escolhido só para não falar do vírus, que não uiva, mas perturba, que arrasou com as nossas vidas por não sabemos quanto tempo, e ainda por cima, sem a certeza de se ao maldito sobreviveremos…
Deixe sua opinião