“…Eu hoje me embriagando/de whisky com guaraná/ouvi tua voz murmurando/são dois pra lá, dois pra cá”
Era balsâmica, a voz da Elis. Eu estava cansado e com sono no banco de trás de um Passat TS com dois colegas, cruzando a noite prestes a chegar ao nosso destino, após 320 kms de estrada estreita e movimentada. “Estragou o Whisky, estragou o guaraná…”, comentei bocejando. Os colegas concordaram com um sorriso. As primeiras luzes da cidade quebravam a escuridão da estrada, enquanto a Elis concluía, arrastando as sílabas sobre a melodia: “…São-dois-pra-lá, dois-pra-cá!” Corria o ano de 1975, a Elis era mulher de trinta, cantora de enorme sucesso e eu tinha apenas um ano a mais que ela.
Quarenta e cinco anos se escoaram desde aquela noite em Porto Alegre. A balsâmica voz da Elis há muito se apagou e hoje o Aldir Blanc deixou também este vale de lágrimas. Se eu acreditasse em vida após a morte, não duvidaria que eles os dois já se encontraram, para alegria de anjos e arcanjos…
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