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Archive for Maio, 2020

Domingar…

Domingamos cedo, caminhando, exercitando adormecidos músculos, num dia lindo de céu superblue sem sombra de nuvens mesmo que ténues. Calçadões e praias assinalados com fardados varões e damas d´armas em concentrações e número deveras intimidantes de pistolas e cassetetes. Pergunto-me se o inimigo daquela força será o invisível e perigoso assaltante, ou o perfeitamente visível, inofensivo e indefeso cidadão comum no seu caminhar e ginasticar sobre as areias da praia ou sobre as pedrinhas do calçadão.

Volto a postar, após dois ou três dias de pensativo recesso. Não mais aquela espécie de numerado diário do casulo, que tende a impor-me como se uma obrigação intrínseca; Volto às mukandas como mukandas: Bilhetes sem brilharetes, au hasard, quand il me plaît…

 

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São muitos os “Live shows” oferecidos on line nos computadores e canais de TV, alguns de excelentíssima qualidade, alguns descartáveis merecendo o selo de execráveis, nestes tempos em que nos trancamos em casa esperando não ser encontrados pela moléstia.

Hoje foi dia de “Live” de mais um episódio da admirável atividade da exploração espacial. Dia de fixar os olhos na prodigiosa capacidade dos que dedicam sua existência à realização de sonhos que nos meus sonhos de criança estavam limitados aos sonhos dos mestres que desenhavam os quadrinhos do Flash Gordon e outros heróis do espaço. A tal ponto estava “vidrado” de alma e coração nas imagens e narrativas diretas da NASA, que redigi e postei na minha página do FB no idioma em que estava envolvido. Adorei relê-lo, depois que, por falta de segurança meteorológica, a contagem regressiva foi interrompida…

“How proud and thankful I feel because I´m here, in front of my screens, in live connection with a prodigious network giving me the utmost privilege to, from my chair at home, witness the development of events, procedures, heartbeats, heavy breathing, courage and immense passion, prior to launch the Space Craft bringing those two futuristic heroes for a long hitch on the International Space Station! What a life moment!”

 

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Crise

O peso da idade parece, num repente, haver sido exponenciado ao infinito. Sentado, mãos segurando a cabeça, o velho medita e reedita recentíssimos sons e imagens de uma súbita erupção de reações verbais no seio do seu cotidiano. Reconhece estar esse cotidiano insuportável para a companheira de longos anos, tanto ou ainda mais quanto para si próprio. Concede ser pessoa de raro rir e de pouco sorrir, a par com uma natural tendência à introversão e ao silêncio. Características que, realiza, em nada ajudam em qualquer momento de qualquer relacionamento, que dizer na tensão das atuais circunstâncias de longo isolamento compulsório. Reconhecer é uma coisa, tentar mudar de forma profunda sua pessoa para uma personalidade alegre e extrovertida será, na sua idade, promessa condenada ao insucesso. E o idoso acaba por desaguar num sentimento de culpa, por haver arrastado a mulher ao longo da vida para uma existência aparentemente infeliz e atribulada. A sombra da depressão espreita e se estreita para penetrar pelas frestas, que o velho vai tapando como pode, enquanto pode. Porque acredita em sindrome de Poliana, no sono encontrará a positividade  nos verdes campos do subconsciente e dele procurará arrastar consigo uma benfazeja bolha que se expandirá pelo dia de amanhã…

 

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A cada dia que decorre com a manutenção da insanidade dos “lock downs” em curso, vai-se aprofundando a facilmente previsível crise econômica em que a fome, a miséria e moléstias resultantes da histeria que parou o planeta, juntam-se à crônica fome, miséria e às moléstias nas bem conhecidas áreas em permanente conflito e de extrema pobreza. Desde o início de Março que redijo amargas mukandas de repúdio a esta histórica histeria pandêmica que resultou na catastrófica estagnação mundial, que não evitou nem vai evitar grande perda de vidas pelo C19 e propiciou a conjunção de fatores que leva e levará a grande perda de vidas pelo desespero do desemprego em massa.

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São quase 20:00 horas de um sábado que de destaque, apenas a segunda caminhada pelos quilômetros medicinais do calçadão de Icaraí. Tive ganas de parar completamente de escrever estas pequenas crônicas diárias que eu próprio já cansei de ler, mas reconheço nelas um exercício de alguma valia para manter os restantes e combalidos neurônios com alguma atividade. Noite passada foi de esquisitíssima atividade subconsciente, de sonhos impossíveis por serem sonhos mas perfeitamente possíveis enquanto sonhos. Confundo-me, confundindo quem me leia, mas os tais sonhos incluíram nomes e figuras que já não figuram entre os vivos e isso, sinceramente muito me perturbou. Com o humor mais para menos que para mais, contagiei e irritei a minha maisquetudo que, no decorrer do dia, mais razões em mim terá encontrado para considerar-me algo como o seu menosquenadadenada…

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Dia azul

Blue

Uma superbaixamar deixou as rochas ao léu nesta nossa primeira caminhada pelo calçadão desde o dia 18 de Março. Completados, portanto, sessenta e quatro saudosos dias afastados dos azuis, que tão brilhantemente azuis hoje estão, como que comemorando o reinício de alguma vida externa! As pedrinhas da calçada portuguesa estão todas lá sem faltar nenhuma e o mesmo se pode dizer em relação aos conhecidos pontos com falta delas. Não tivemos que desviar de cocô canino nem de ciclistas em desatino. Ninguém da hiperconcentração de guardiões impediu o nosso caminho e da paisagem livremente desfrutar. Os músculos das pernas estão deliciosamente doloridos, mas estão de amargar os calos de estimação há muito sem tratamento profissional. Para reentrar no casulo, o complicado procedimento habitual, que nem tão complicado é se compararmos com os procedimentos para reentrar na ISS depois de trabalho externo no espaço…

 

 

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Procuro freneticamente um moto para iniciar um texto que não inclua a praga vigente. Observo a floresta de retratos encaixilhados sobre mesinhas e consoles, mas nenhum me arrasta a falar dos passados familiares. Os cristais não me convencem a descrever coisas das nossas viagens e os quadros assinados por Willard e Arminda, tampouco me fornecem combustível para alçar voo e elevar-me a mais altos níveis de fertilidade de ideias. Cai-me a vista sobre os instrumentos repousando sobre seus repousadores, mas não, não, não, que deles eu já falei demais. Desistir é cruel palavra e de insistir, o cansaço estou a ponto de atingir. Falar de mim não é boa ideia, porque se de ordinário não me tenho em boa conta, no momento presente eu vou acabar por autoflagelar-me sem dó nem piedade. Finalmente uma saída: Alarme fisiológico de que ainda hoje não senti um vaso sanitário debaixo de mim…

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Saída semanal do casulo para repor alguns víveres, ensejando ao mesmo tempo desenferrujar os músculos das pernas. Pareceu-me haver um pouco mais de movimento de carros e podemos ver que as não muitas pessoas circulando a pé na área e dentro do mercado, todas exibiam, tal como nós próprios, suas focinheiras de pano, como é recomendado. As compras foram leves por estarmos a pé, mas deu para incluir uma caixinha de bacalhau dessalgado. Ao retirarmos o produto do armário frigorífico, eu gritei a pleno silêncio dos meus pulmões: “P u n h e t a!”. Tal foi a estridência do silêncio, que a Nina escutou-me e assim foi o magnífico almocinho regado com um geladíssimo vinho branco bem maduro, bem seco. Ao repasto sucedeu uma curta sesta, interrompida pelo bradar dos alto falantes do big brother da vez no habitual brainwash: “fiquemcasafiquemcasafiquemcasafiquemcasa…” Nas entrelinhas, “Morra à míngua, mas morra em casa!”. Até esta hora, não escutei a presença, para mim aterrorizante, dos habituais helicópteros em looooongas pairadas não muito longe daqui. No meu apreensivo pensamento, eles vigiam, quais mastins na serra da estrela, os movimentos do rebanho de carneiros pagantes; Pagantes e confinados. George Orwell precisava estar aqui…

 

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Realidade

De novo:

“Da proteção das cavernas
Há que sair para caçar
Se o medo te tolhe as pernas
À míngua irás soçobrar…”

Acreditem! Não há esperança de sobrevivência que não passe pelo trabalho e desenvolvimento. Estagnação é morte certa – muitíssimo mais certa que por qualquer vírus por mais coroado que seja. O vírus só em parte para matar pega de jeito, onde a miséria acaba matando a eito.

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Valores de grande valor
que sem valor acabaram
Amores de eterno amor
que se não eternizaram

Amigos muito amigos
que a política separou
Figadais inimigos
que a política aliou

E o eldorado opulento
agora em decadência
riqueza a levou o vento
fica luta pela sobrevivência

Da proteção das cavernas
Há que sair para caçar
Se o medo te tolhe as pernas
À míngua irás soçobrar…

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