
O otimismo desinformado vai num desaparecendo, na medida em que o pessimismo ultrainformado dispara num crescendo. “…Então o meu risco é tudo isso?!”, surpreendo-me ao deparar-me com uma tabela produzida em algum lugar do planeta por uma das muitas iminências angloparlantes especialistas no assunto. À minha faixa etária é concedido um tal percentual de sobrevivência em caso de infecção, que um início de pânico se apoderou de mim. “…então, é melhor começar a organizar tudo…”. Depois veio a resistência puxando a resiliência, que me fez apertar o botão do foda-se, não-vou-organizar-porra-nenhuma. Seguiu-se uma subida exponencial da minha pre-existente fobia aos meios de comunicação. Deles eu isolo-me de fones de ouvido, enquanto garimpo nos inesgotáveis caminhos do Youtube e não só, os assuntos das minhas predileções, não necessariamente nessa ordem: Musica (Do cássico ao Rock n´blues), Instrumentos, Literatura, Artes em geral, Aeronautica, Astronautica, Tecnologia em geral.
Mas foi vagueando pelo vácuo do gossip, que aflorou em mim um sentimento de inutilidade, depois de rever, também no youtube, bem entendido, um numero absurdo de vezes, um talk show em que Kate Beckinsale conta uma brincadeira em que ela enfiou um toblerone no meio das nádegas de um fulano que caíu no sono decerto depois de beber em excesso. O pior é que à décima segunda vez eu ri com a mesmíssima vontade da primeira. É muita perda de tempo, mesmo considerando que a mulher é linda de morrer, culta e engraçada pracarrramba, tem uma voz grave de orgásmica suavidade que junta com uma britanice de babar. Surpreendi-me pois na esquina da inutilidade desse nada doce far niente do recolhimento compulsório que agora ganhou força de lei de exceção, quem diria, quem diria! É dura essa ditadura do tal viruscoroado…

