
A tolerância vai descendo pelo dreno, reconheço-me mais irascível e de pavio curto. Distancio-me quanto posso dos loucos campos de batalha das redes antissociais, que são armas do ódio disparando, de parte a parte, rajadas incessantes de agressão e insulto.
Na noite de ontem, retirei do estojo a minha tão abandonada guitarra portuguesa. É um instrumento lindo, que adquiri com o firme propósito de aprender e chegar ao ponto de ser capaz de tocar como um simples amador caseiro pode tocar. A firmeza ficou pelo caminho, nos descaminhos das muitas horas de trabalho longe de casa, diluída em promessa de que tudo mudaria com a aposentadoria. Já vimos que não mudou. As cordas de aço perdem a sonoridade e precisam ser trocadas de vez em quando. Se o instrumento não é usado, piora muito e, como aconteceu ontem, durante a afinação logo uma das cordas da primeira ordem rebentou. Preparei a corda e instalei-a ontem mesmo, mas ficou bem patente que todas deveriam ser também trocadas.
Instalar um encordoamento de guitarra portuguesa, precisa de um nadinha da habilidade de um luthier para medir e marcar o correto comprimento e preparar a laçada do leque, usando uma ferramentinha apropriada. As cordas novas são vendidas só com a laçada da ancoragem, porque existem três tipos de guitarra portuguesa com comprimentos de corda e afinações diferentes. A minha é de construção e afinação “Lisboa”.
A volta ao estudo e memorização da escala vai certamente suavizar um pouco minha crescente falta de paciência e preocupação com a sobrevivência em grave perigo pelo andaço pulmonar e pela ameaça de fome em razão do colapso da economia.
Que “inveja branca” de que sabe tocar um instrumento…Boa iniciativa, amigo Nelson.
Bom, a família teve alguns músicos e a ela eu sempre fui muito ligado. Mas não sou nada de especial em nenhum dos instrumentos que aprendi. A guitarra portuguesa, sendo como é um instrumento “popular”, não é exatamente coisa fácil… Um grande abraço!