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Archive for Fevereiro, 2020

Vírus

Afinal o coronavírus é ou não um vírus coroado? Rei da vez, absolutista rei do mundo que o mundo deixa cagado de medo, propelindo as economias a deslizar ladeira abaixo, gerando desemprego, crise, a fome que logo poderá ir chegando sorrateira… O positivo é que, pelo menos até agora, o surto está muitíssimo aquém da letalidade das pestes que em outros tempos assolaram o planeta e dizimaram os terráqueos aos milhões. Cofiemos nos maravilhosos bruxos que nos laboratórios testam febrilmente a química milagrosa que descoronará o coronado…

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Generos

Para entender, eu preciso antes de tudo querer entender, bem entendido. Como resisto a qualquer abertura para forçar-me a entender, encerro-me no meu casulo de sete décadas e meia em atividade frenética de procurar selar frestas por onde a balbúrdia desse  desentendimento global possa penetrar. Entro em pânico, só em pensar que poderá surgir um louco do sanatório geral que, de dedo em riste, me acuse pelo crime de me dizer um ser do sexo masculino, baseado nos penduricalhos que porto no meio das minhas duas pernas e da minha predileção pelos seres do sexo feminino, que tal tipo de balançantes atributos não portam. E na medida em que realmente acredito ser a natureza o único e verdadeiro deus que criou seres biológicos de uma multidão de diferentes espécies acasaladas em dois sistemas reprodutivos, nunca ninguém me fará crer em múltiplos “generos”. Homosexuais sempre os houve – do sexo masculino e do sexo feminino, todavia –  ainda que seus encadeamentos eletro-químicos os levem, erradamente, a sentir tesão pelo indivíduo do mesmo sexo…

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Fiquei ligado nos derradeiros minutos da corrida em Daytona e sofri as angústias de ver o Ryan Newman preso dentro dos destroços do carro enquanto dele um fluido jorrava que a nós parecia ser combustível. Se o fosse, com chamas muito próximas e com discos de freio ao rubro, uma bola de fogo poderia estar iminente! Como a TV dedicava mais sua atenção para o vencedor, optei pelo Youtube no computador, onde um live stream permitia mensagens instantâneas. Ali mesmo, no momento em que um competidor se encontrava em gravíssimo risco, gente ruim postava toda a espécie de piadas de péssimo gosto, literalmente desejando que o homem morresse, tal qual sanguinários espectadores de um circo romano de gladiadores. O insulto e o apedrejamento são a escrota realidade, onde quer que seja aberta uma janela de comentários, não importa a natureza do assunto…

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Após o café da manhã, parco como é habitual, o velho casal separa-se como não é habitual. Ela vai para a consulta odontológica e ele vai para onde a leitura o leve de leve a perder-se desta realidade tão drástica que vivemos. A caminhada ficará, pois, para o dia seguinte. Aconteceu que a mulher retornou a casa surpreendentemente mais cedo, misturando as causas do tão cedo retornar com notícias sobre inundações nas unidades acima, causadas pela desatrosa instalação de painéis solares tão custosos quanto inúteis, impingidos pela administração do prédio. Algum pouco tempo depois, soa a hora de almoço e o velho casal senta à alva mesa da cozinha iniciando silenciosamente a função. Até que a voz do homem se sobrepõe ao tilintar dos talheres e dispara a pergunta inesperada, tumultuante, conflituosa, avassaladora:

“Como foi lá na dentista?”…E o céu caiu-lhe em cima da cabeça! Para piorar muito as coisas, o homem não conseguia parar de rir, o que resultou no pranto da mulher, que o acusava de jamais lhe prestar a atenção que merecia e carecia. “Mas…” balbuciava o homem por entre as tentativas de disfarçar o riso; “Eu me confundi com a história da inundação e não me dei conta do que falaste sobre a consulta!”

E lá ficou o velho casal, amuado, calado, desconsolado, porque afinal, a idade dá mesmo para ficar desligado e desatento…

 

 

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São profundas e indeléveis as marcas que a terra africana deixa na gente. No garotão recém- entrado na puberdade que se descobre na fascinante e mágica mistura de odores de identidade única, da pele o mais possivel ao sol austral, das águas tépidas de perturbadora claridade explodindo de vida marinha em cardumes  de taínhas, mariquitas, pargos… O cheiro do mangal, bandos de Flamingos, caranguejos passeando intocados pelas ruas da cidade, as bananas de sabor incomparável, as mangas, a fruta-pinha. Habituar-se rapidamente a dormir com mosquiteiro e com meninas de frenética e excitante dinâmica. Enlevar-se, envolto em mantos prateados suspensos do espaço em luaradas de indescritivel magia, correndo pelas areias, ousado, nú e livre, exultante de  juventude plena de pura felicidade de estar vivo! Maravilhar-se, em ocasiões de escuras noites, mergulhando e agitando as estranhíssimas águas fosforescentes, que fosforescente tornavam o corpo nú!  Ah!…E a muambada com pirão, a funjada, o kalulu com deliciosa corvina seca, o churrasco de galinha com muito jindungo, a galinha de cabidela, a cerveja estupidamente gelada…E a música, o ritmo, a rebita, que levou o que restava das virtudes do pouquíssimo que restava da criança. Kandengue de sorte…

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