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Archive for Janeiro, 2020

Feminismo

Num daqueles meus retornos a casa após longo período no mar, enternecido pela volta aos braços das minhas meninas, escrevi:

“Rodeado de meninas minha vida gastei,
Meu universo é feminino…O que ganhei?…
Ganhei doçura pra temperar minha macheza,
Ganhei sensibilidade para enxergar a beleza…
Ganhei belas rosas que não só exalam,
Ganhei rosas que também falam…
Ganhei compreensão pra’s têpêémes aturar,
Ganhei coragem pros meus ciúmes mitigar!…
Ganhei orgulho pelas mulheres que fiz,
Ganhei com elas, o direito de ser…Feliz!”

Depois disso, as “mulheres que fiz” geraram por seu turno mais cinco meninas, havendo apenas um homem para quebrar essa absoluta hegemonia feminina. Porque estes são estranhíssimos tempos, Lucas, único varão no nosso núcleo, terá de aprender a jamais se sentir culpado nem politicamente incorreto pela sua condição de Homem…

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Admiração

 

Captura de Ecrã (26)

Há alguns dias, segui ao vivo  por sete horas a fio o evoluir da dupla de astronautas Christina Koch e Jessica Meir em sua primeira de duas missões seguidas de trabalho externo nas baterias da Estação Espacial Internacional. A operação deixou-me prostrado de cansaço como se houvesse estado junto com elas, flutuando no vácuo, ajudando-as em cada procedimento, no uso das ferramentas para soltar, extrair, depois montar, torquear…

Essas pessoas extraordinárias têm a minha profunda admiração! Desejo à Christina um bom e seguro regresso à Terra, programado para os primeiros dias de Fevereiro, após sua permanência na ISS por cerca de 300 dias!

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Energia

P70

Tempo chuvoso, cor de chumbo, sem chance para fotos com algum brilho. No entanto, ali está um motivo massivo: FPSO “Petrobras 70”, empreendimento ciclópico. Capacidade para produzir 150 mil barris/dia de óleo e 6 milhões de M3/dia de gás natural! Energia garantida, atual, enquanto garantias não temos de todas as outras energias que continuam promessas do futuro. Sem medo de carinhas aterrorizantes à la Chuck the killer doll, nem de esverdeados ativistas políticos de inúteis e demagógicas verborréias…

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Substrato-me

Sim, sou como sou e não adianta dizer que nunca é tarde para mudar; Vou morrer assim, do jeito que sou, com algumas virtudes contrabalançadas por outros tantos defeitos, que resultam no que de verdade sou: Eu próprio! Isso representa absolutamente nada de nada no Universo e tudo de tudo no meu privado e vasto mundo, onde eu me dou a importância máxima, como se um monarca fosse, coroado pelas forças do meu ego. O pior é que, relendo estas linhas, tristemente concluo que, por mais que infle meu ego, resulto achar-me um reles infinitesimal substrato…

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Abelhinhas

Macro-9454

Abelhas têm o meu respeito. São lindas, obreiras, aliadas aladas, essenciais. Não faço ideia de como identificá-las como espécie com ou sem ferrão. Na dúvida, evito fazer algo que as desagrade quando, por exemplo, me aproximo muito para fotografá-las. Interessante que, ajudando na vindima, disputei muitos cachos de uvas com elas, sem no entanto ser atacado! Acho que, com as abelhas, eu sigo as precauções, carinho e trato fino que uso para não assumir o risco de desagradar de alguma forma a minha +quetudo. Ela também é linda, obreira, aliada, essencial e tem o meu mui prudente respeito…

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Maninhas

Ocorreu-me dizer que, contados cinco dias dentro desta década de vinte, já deu para ver que nada parece indicar que será um período dos mais pacíficos. No entanto, convenço-me que discorrer sobre esse tema é pura perda de tempo e espaço. Afinal, qual foi a década que se possa chamar de pacífica, desde que a minha mãe me pôs no mundo nos inícios de 1944, ou seja, no auge do inferno da segunda guerra e nem ainda tinham cozinhado vivos com nukes os habitantes de Hiroshima e Nagasaki, embora estivesse em curso a ação de assar vivos com fósforo, os habitantes das principais cidades alemãs.

Prefiro então falar de mim, das minhas ideossincrasias, dos meus conflitos comigo próprio que em geral acabo resolvendo sem sequer pedir ajuda a nenhum shrink. Concedo que há um decréscimo na minha vontade de prosseguir com atividades que sempre me deram muito prazer, das quais destaco a fotografia. Mas há muita ajuda da minha muito + que tudo; Ela me dá força e apoio incondicional, condicionado ao meu comportamento em reposta a esse incondicional apoio, entenderam? Não?! Depois eu explico melhor, então. Mas não agora, porque na casa da minha filha aqui em Curitiba, tem as meninas Isadora de 5 e Clarice de 3, aí acima retratadas, de férias e de incansável atividade…

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Alergia

Suponho que aqui em Curitiba a peçonhice dos insetos é mais tóxica, pelo menos para as minhas defesas biológicas que, por outro lado, parecem haver passado por algum tipo de drástica mutação. Qualquer picada progride imediatamente para reação alérgica, inchaço, coceira desesperada. Longe vão os tempos de durão guerreiro das selvas tropicais…

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Caviar

Gostar de caviar e champagne não faz de mim um fulano metido a besta com gostos nada condizentes com as minhas posses. Minha penúria econômica não me impede de dizer que de fato gosto muito de autêntico caviar e champagne de marca excelente. De igual forma, nada me impede de alimentar meu fodástico sonho de ter um Tesla topo de linha para chamar de meu e queimar meus ultimos cartuxos neste vale lágrimas viajando autoestrada acima, autoestrada abaixo , derretendo-me em autopilotados orgásmicos delírios. Porque o Tesla é inatingível, assim como os múltiplos orgasmos, saí numa curta caminhada até um supermercado de característica “Delicatessen” aqui perto, chamado “Angeloni”, disposto a queimar um troquinho num vidro com algumas gramas de caviar de nobreza duvidosa; Debalde: De algo que lembrasse as preciosas ovas, necas de pitibiriba…

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Cá estou, sim senhor! Acabei de cruzar a portaria principal sem aparente dificuldade, embora meio incomodado pelo estardalhaço dos fogos de artifício, diretamente para a trilha bastante sinalizada, garantindo ser esta a via única de circulação para se caminhar ao longo do ano de 2020. Até este momento, o piso é uniforme e sem acidentes de traçado, mas realizo que não tardará muito a que encontre os primeiros pedregulhos de difícil transposição.

Como esta é a septuagésima sexta vez que enceto e realizo tal trajeto, experiência não me falta para saber que toda essa experiência de nada vale, porque esse caminho que guia meus passos é chamado de futuro, que temos por completamente imprevisível, até mesmo para aqueles que se dizem possuidores dos ocultos  poderes da profecia, seja lá o que ser profeta signifique. Prossigo então, porque não, acreditando que viverei para incomodar-me com os fogos de artifício na portaria de entrada na década de 30…

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